
Estamos chegando ao fim de 2025, um período tradicionalmente marcado por festas, férias, viagens, confraternizações e, naturalmente, aumento dos gastos. Para muitas famílias, falar em educação financeira nessa época pode soar cansativo ou até fora de hora. No entanto, justamente por concentrar despesas extras e compromissos acumulados, este é considerado por especialistas o momento ideal para revisar o orçamento e planejar o ano seguinte com mais tranquilidade.
Além das celebrações de fim de ano, o início de 2026 traz uma série de despesas inevitáveis, como IPVA [1], IPTU [2], matrícula e material escolar, seguros, renovações de contratos e gastos típicos do mês de janeiro. Soma-se a isso a entrada em vigor de mudanças no Imposto de Renda, que alteram o salário líquido de milhões de brasileiros e exigem atenção redobrada ao planejamento financeiro.
Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN [3]), ignorar esse cenário pode comprometer todo o ano seguinte. “Mesmo em meio às festas, esse é o momento ideal para refletir sobre o futuro financeiro. A educação financeira permite começar 2026 de forma mais leve, organizada e consciente”, afirma.
Ao analisar o comportamento das famílias brasileiras, Domingos destaca que o fim de ano é decisivo para estabelecer hábitos mais saudáveis de consumo. “Quem planeja agora evita o efeito cascata das dívidas nos primeiros meses do ano”, diz.
Educação financeira como base para organizar o orçamento
Arquivo/Agência Brasil
Para quem deseja iniciar 2026 com mais controle, a educação financeira passa por algumas práticas fundamentais. A primeira delas é registrar todos os compromissos financeiros previstos para o ano, como impostos, datas comemorativas e despesas fixas. Anotar esses compromissos, seja em agenda, caderno ou aplicativo, ajuda a evitar surpresas e facilita a organização do fluxo de caixa.
Outro passo essencial é definir sonhos e objetivos financeiros. Conversar com a família sobre metas de curto, médio e longo prazo — como viagens, aquisição de bens ou aposentadoria — contribui para dar sentido ao planejamento. Associar cada objetivo a um valor e a um plano de poupança ajuda a manter o foco e fortalece a disciplina financeira.
A análise detalhada dos gastos também é parte central da educação financeira. Estudos indicam que muitas famílias gastam até 20% a mais do que o necessário em despesas rotineiras, como energia elétrica, alimentação e telefonia. Pequenos gastos recorrentes, muitas vezes ignorados, podem comprometer o orçamento ao longo do ano.
Com base nesse diagnóstico, especialistas recomendam elaborar um orçamento que priorize os objetivos de vida antes das despesas. A lógica é simples: reservar parte da renda para sonhos e investimentos e, a partir daí, ajustar os gastos mensais. Esse método ajuda a evitar que todo o dinheiro seja consumido apenas pelo pagamento de contas.
Poupar e investir com consciência também faz parte da educação financeira. Para objetivos de curto prazo, opções mais conservadoras, como poupança e Tesouro Direto, costumam ser indicadas. Já para o médio prazo, CDBs e fundos de investimento podem ser alternativas, enquanto planos de previdência privada e ações são mais adequados para o longo prazo, sempre respeitando o perfil do investidor.
Outro ponto destacado por especialistas é o consumo consciente. Ajustar o padrão de vida à realidade financeira, evitar compras por impulso e planejar gastos maiores são atitudes que reduzem o risco de endividamento e contribuem para um futuro mais estável.
Mudanças no Imposto de Renda afetam o planejamento em 2026
Arquivo/Agência Brasil
A partir de 1º de janeiro de 2026, entram em vigor as novas regras do Imposto de Renda [4], que devem aliviar o orçamento de trabalhadores com renda mensal de até R$ 7,35 mil. Embora a mudança seja positiva, especialistas alertam que o aumento do salário líquido precisa ser bem administrado para não se transformar em consumo descontrolado.
Estimativas indicam que quem recebe cerca de R$ 5 mil por mês será o grupo mais beneficiado, com uma economia anual equivalente a quase um salário extra. A partir de rendas superiores a R$ 7.350, o impacto tende a desaparecer. A expectativa é de que cerca de 10 milhões de contribuintes passem a ser isentos, ampliando para mais de 26 milhões o número de brasileiros fora da cobrança do imposto.
Essas mudanças reforçam a importância da educação financeira, já que qualquer aumento de renda, se não for planejado, pode ser rapidamente absorvido por novos gastos.
Inflação real pesa mais do que o índice oficial
Rovena Rosa/Agência Brasil
Outro fator que precisa entrar no planejamento de 2026 é a chamada inflação real — aquela sentida no dia a dia do consumidor. Mesmo quando os indicadores oficiais apontam estabilidade, aumentos em itens como alimentos, energia, transporte [5]e medicamentos costumam pesar mais no orçamento das famílias.
Monitorar essa inflação cotidiana é fundamental para ajustar gastos e evitar desequilíbrios financeiros ao longo do ano. Ignorar esse impacto dificulta o controle das despesas e compromete o planejamento de médio e longo prazo.
Para Reinaldo Domingos, educação financeira não significa cortar lazer ou eliminar completamente gastos. “Trata-se de entender prioridades, estabelecer metas realistas e investir de forma eficiente. Com planejamento, é possível transformar 2026 em um ano de virada financeira, alcançando objetivos com tranquilidade e sustentabilidade”, afirma.
Em um período em que muitos preferem adiar a análise do extrato bancário e das contas, agir agora se torna um diferencial. A educação financeira, aplicada no momento certo, permite começar 2026 com mais serenidade, clareza e rumo definido.
[1] https://abcdoabc.com.br/isenta-motos-180-cilindradas-ipva-2026/
[2] https://abcdoabc.com.br/diadema-iptu-2026-pagamento-pix/
[3] https://www.instagram.com/abefin_org/
[4] https://abcdoabc.com.br/reforma-imposto-de-renda-impacta-economia-abc-2026/
[5] https://abcdoabc.com.br/sp-aumenta-passagem-de-metro-trem-5-40-em-2026/