
O Agro paulista [1] demonstrou resiliência excepcional ao fechar 2025 com um superávit comercial de US$ 23,09 bilhões. Mesmo enfrentando turbulências no cenário externo, o segmento foi responsável por enviar ao exterior US$ 28,82 bilhões em produtos, consolidando sua posição como pilar fundamental da economia estadual.
Dados levantados pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA [2]) indicam que o setor representou 40,5% de tudo o que São Paulo exportou entre janeiro e dezembro. Em contrapartida, as importações somaram apenas US$ 5,73 bilhões, o que equivale a 6,6% do total estadual.
Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA, reforça que o desempenho do agro paulista gera impactos diretos na sociedade:
“As exportações de 2025 registraram o segundo maior resultado de toda a série histórica. São números bastante expressivos, que geram desenvolvimento, empregos e fortalecem a economia do estado.”
Força do agro paulista no mercado internacional
A diversificação da pauta exportadora foi crucial para manter os resultados positivos. Embora o agro paulista tenha enfrentado oscilações de preços, cinco grupos principais concentraram 75,1% das vendas externas.
O complexo sucroalcooleiro liderou o ranking, apesar de uma retração de 28,4% em comparação a 2024. Confira o desempenho dos protagonistas da balança comercial:
Complexo Sucroalcooleiro: US$ 8,95 bilhões (31% de participação).
Carnes: US$ 4,43 bilhões (15,4%), com crescimento expressivo de 24,2%.
Sucos: US$ 2,98 bilhões (10,4%), majoritariamente suco de laranja.
Produtos Florestais: US$ 2,97 bilhões (10,3%).
Complexo Soja: US$ 2,32 bilhões (8%).
Outro destaque notável foi o café. O produto registrou um aumento de 42,1% nas exportações, somando US$ 1,82 bilhão. Essa variedade de culturas protege o agro paulista de quebras bruscas de receita quando uma commodity específica sofre desvalorização.
Impacto das tarifas e principais destinos
A China manteve sua posição de principal compradora, absorvendo 23,9% das vendas. A União Europeia (14,4%) e os Estados Unidos (12,1%) completam o pódio. No entanto, a relação com o mercado norte-americano exigiu adaptação estratégica dos produtores.
O "tarifaço" imposto pelos EUA no segundo semestre causou quedas consecutivas nas vendas para o país, chegando a uma retração de 54,9% em novembro. Felizmente, a isenção de tarifas anunciada em 20 de novembro para itens como café, frutas e carne bovina traz otimismo para 2026.
José Alberto Ângelo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), analisa o cenário futuro para o agro paulista:
“Nos últimos três anos, as exportações para os Estados Unidos apresentaram crescimento consistente, o que reforça a perspectiva de retomada do fluxo comercial.”
A capacidade de redirecionar vendas para mercados como México, Canadá e Argentina ajudou a mitigar as perdas momentâneas com os EUA. No ranking nacional, o estado garantiu a vice-liderança, respondendo por 17% das exportações brasileiras do setor, o que reafirma a competitividade inabalável do agro paulista.
[1] https://abcdoabc.com.br/governo-sp-150-irrigacao-agro-paulista-5-anos/
[2] https://agricultura.sp.gov.br/apta