
O jornalismo brasileiro perdeu uma de suas vozes mais polêmicas e resilientes. Morreu neste sábado (17), aos 32 anos, o apresentador e jornalista Erlan Bastos [1]. A notícia foi confirmada pela NC TV Amapá, emissora onde ele liderava o programa Bora Amapá. Embora a causa oficial do óbito ainda não tenha sido divulgada, o comunicador vinha enfrentando problemas de saúde; há cerca de um mês, ele chegou a ser internado às pressas após passar mal durante uma transmissão ao vivo, queixando-se de fortes dores no peito.
Erlan Bastos: Uma trajetória de superação e polêmica
Natural de Manaus [2] (AM), a vida de Erlan Bastos foi marcada por uma superação digna de roteiro de cinema. De origem humilde, trabalhou como catador de latinhas na infância e enfrentou o maior desafio de sua vida ao se mudar para São Paulo em busca de oportunidades. Na capital paulista, após ser assaltado logo na chegada à Rodoviária do Tietê, Erlan viveu em situação de rua por três meses.
Sua ascensão no jornalismo começou em 2013, mas a projeção nacional veio em 2018 através do YouTube. Formado pela Uninove, ele se destacou pela linguagem direta e sem filtros, o que o levou a grandes emissoras. O estilo contundente de Erlan Bastos abriu portas na Record, onde apresentou o Balanço Geral Ceará em 2020, consolidando sua audiência antes de se tornar o principal nome da NC TV no Amapá.
O impacto no jornalismo investigativo e de celebridades
Além da televisão, Erlan Bastos deixou sua marca no ambiente digital com o portal Em Off. Especializado em bastidores da TV e do mundo artístico, o site tornou-se referência por furos de reportagem e críticas ácidas ao show business. No Amapá, sua atuação foi além do entretenimento; o jornalista era reconhecido pela postura firme em denúncias contra irregularidades locais.
Em nota oficial, o Grupo Norte de Comunicação exaltou o compromisso do apresentador com a fiscalização do poder público. "Erlan conseguiu o que muitos levam anos para construir: mudou os rumos do jornalismo investigativo e crítico no Amapá. Sua partida precoce deixa um vazio imenso em todos que acreditam na força da informação como agente de transformação", destacou o comunicado.
Legado e despedida
A morte de Erlan Bastos gerou uma onda de comoção nas redes sociais, onde ele mantinha uma conexão estreita com milhões de seguidores. O jornalista era conhecido por não se acomodar e por dar voz a demandas populares, muitas vezes ignoradas pela mídia tradicional. Sua atuação na NC TV foi descrita como "intensa e necessária", elevando o patamar do debate público no estado.
A emissora e os familiares ainda não divulgaram informações sobre o velório e o sepultamento. O que permanece, segundo colegas de redação, é o exemplo de um profissional que transformou a própria dor e as dificuldades do passado em combustível para uma carreira meteórica e de impacto social. Erlan Bastos parte cedo demais, mas deixa um legado de coragem que inspirou uma nova geração de comunicadores digitais e televisivos.
[1] https://www.instagram.com/erlan_brasil/
[2] https://abcdoabc.com.br/sao-paulo-sp-e-manaus-am-vao-concorrer-ao-titulo-de-cidades-criativas-da-unesco/