
A Polícia Civil de São Paulo [1], em uma ação conjunta com o Ministério Público [2], efetuou na última sexta-feira (16) a prisão da delegada Layla Lima Ayub. A detida, que recentemente assumiu o cargo no estado do Pará, é o alvo central da Operação Serpens, que investiga a infiltração de agentes públicos em estruturas do Primeiro Comando da Capital (PCC). A captura ocorreu na capital paulista e contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As 4 graves acusações contra a delegada Layla Ayub
As investigações conduzidas pela Corregedoria-Geral revelam um esquema complexo de favorecimento. A delegada é suspeita de atuar como um braço jurídico e operacional da facção dentro da estrutura do Estado. Segundo o Ministério Público, as provas colhidas indicam que Layla mantinha relações profissionais e pessoais estreitas com membros da cúpula do crime organizado.
No momento da prisão, a autoridade policial passou a enfrentar acusações formais por:
Associação a organização criminosa;
Colaboração com o tráfico internacional de drogas;
Falsidade ideológica;
Exercício irregular da advocacia.
Em depoimento oficial logo após ser detida, a delegada não negou os vínculos com a facção. Ela confirmou que seu companheiro, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido no submundo do crime como "Dedel", é membro ativo do PCC.
Infiltração e cooptação no sistema prisional
De acordo com o promotor Carlos Gaya, a trajetória de Layla Ayub sugere um processo de cooptação estratégica. A suspeita é de que ela tenha sido aliciada durante atendimentos jurídicos a lideranças da facção dentro dos presídios. "Essa delegada atuou diretamente em favor das lideranças do PCC no Pará", afirmou Gaya, ressaltando que a relação afetiva com "Dedel" serviu como porta de entrada para a imersão total no contexto criminoso.
Antes de assumir o concurso para a Polícia Civil, Layla mantinha uma atuação intensa na advocacia. Registros da OAB de Marabá (PA) mostram que sua inscrição principal continua ativa, apesar de uma inscrição suplementar no Espírito Santo ter sido cancelada recentemente. No Tribunal de Justiça do Pará, o nome da agora delegada aparece vinculado à defesa de casos de homicídio qualificado e crimes previstos no Sistema Nacional de Armas, frequentemente representando indivíduos ligados ao crime organizado.
Histórico na PM e ações contra o Estado
A vida pregressa da investigada também revela passagens conturbadas pelo serviço público. Antes de se tornar delegada, Layla serviu como policial militar no Espírito Santo. Durante esse período, moveu diversas ações judiciais contra o Estado, incluindo pedidos de indenização por acidentes em serviço e auxílio-alimentação — todos rejeitados pela Justiça entre 2021 e 2022.
Embora tenha sido alvo de um inquérito policial militar pela Corregedoria da PM capixaba, o processo acabou arquivado em 2021 sem denúncia formal. Agora, a situação é distinta: com evidências robustas de colaboração com o PCC, a delegada permanece à disposição da Justiça em São Paulo, enquanto o processo administrativo para sua expulsão dos quadros da Polícia Civil do Pará deve ser acelerado.
Até o fechamento desta edição, a defesa de Layla Lima Ayub não havia se manifestado. O espaço segue aberto para o posicionamento oficial de seus representantes legais.
[1] https://abcdoabc.com.br/sao-paulo-policia-civil-abre-outra-investigacao/
[2] https://www.mpsp.mp.br/