Ministério da Saúde garante nome social para pessoas trans no SUS

Ministério da Saúde garante nome social para pessoas trans no SUS
Ministério da Saúde garante nome social para pessoas trans no SUS A garantia do uso do nome social no SUS acaba de ser reforçada por novas determinações do Ministério da Saúde [1]. O órgão federal anunciou diretrizes específicas para assegurar que pessoas trans, travestis e não binárias tenham sua identidade respeitada em todas as etapas do atendimento na rede pública. O objetivo central é combater a discriminação institucional e proteger informações sensíveis dos pacientes. Essas orientações foram oficializadas por meio de duas notas técnicas (242 e 243), elaboradas pelo Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. A partir de agora, a aplicação dessas regras torna-se obrigatória em unidades que realizam diagnósticos e tratamentos dessas condições, marcando um avanço significativo na política de humanização da saúde. O que muda nos atendimentos e documentos A nota técnica 242 define protocolos claros para o acolhimento. Fica estabelecido que todos os procedimentos devem utilizar tanto o nome civil retificado quanto o nome social, conforme a identidade de gênero autodeclarada pelo usuário. Essa padronização busca eliminar constrangimentos na recepção e triagem dos pacientes. Já a nota técnica 243 foca na privacidade clínica. O documento determina que o registro do sexo atribuído ao nascimento deve permanecer restrito aos prontuários e sistemas internos. O Ministério justifica que, embora essa informação seja vital para a interpretação de exames e tratamentos hormonais, ela não deve constar em documentos administrativos ou papéis que circulam fora do consultório médico. Para consolidar o respeito ao nome social no SUS, as comunicações externas — como receitas médicas, laudos e encaminhamentos — devem omitir o sexo biológico e priorizar a identidade social do paciente. Como funciona a atualização do nome social no SUS Um dos pontos mais relevantes das novas medidas é a desburocratização. Para atualizar os dados em sistemas essenciais, como o Siscel (Controle de Exames Laboratoriais) e o Siclom (Controle Logístico de Medicamentos), não é mais necessária a apresentação de documentação comprobatória judicial ou cartorial. A simples solicitação do paciente basta para que a alteração seja feita. Isso remove barreiras administrativas que, historicamente, afastavam essa população dos cuidados médicos necessários. A medida reforça que o acesso à saúde não deve ser dificultado por exigências que ignoram a realidade social dos usuários. Ao facilitar esse processo, o governo federal sinaliza que a inclusão do nome social no SUS [2] é uma prioridade de saúde pública. Impacto na cidadania e saúde pública Essas mudanças representam mais do que ajustes técnicos; elas são uma resposta direta à necessidade de equidade no acesso aos serviços de saúde. Ambientes inclusivos aumentam a adesão aos tratamentos, especialmente em áreas sensíveis como o controle de infecções sexualmente transmissíveis. Garantir que a identidade do paciente seja respeitada desde a porta de entrada até a entrega do medicamento é fundamental. Com essas diretrizes, o Brasil dá um passo firme para consolidar o direito ao uso digno e irrestrito do nome social no SUS. [1] https://abcdoabc.com.br/residencia-em-saude-ganha-3483-novas-bolsas-2026/ [2] https://www.gov.br/saude/pt-br/sus