
A líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz, Maria Corina Machado [1], definiu como "histórico" e "extraordinário" o encontro realizado na tarde desta quinta-feira (15) com o presidente dos Estados Unidos [2], Donald Trump. A reunião, ocorrida no Salão Oval, marca um ponto de inflexão na diplomacia regional, com Machado enfatizando que a liberdade da Venezuela é um pilar essencial para a estabilidade global. Durante a conversa, a líder oposicionista reforçou o desejo de transformar o país vizinho em um aliado estratégico e robusto de Washington.
A visita ocorre em um momento de transição sensível. Embora os EUA reconheçam Edmundo González como presidente eleito, a Venezuela é atualmente governada de forma interina por Delcy Rodríguez. Para Maria Corina Machado, a urgência agora reside em um "processo eleitoral novo e genuíno" que garanta o retorno de milhões de refugiados ao país.
Aliança estratégica e o apoio a Edmundo González
Após o encontro, Maria Corina Machado destacou a natureza pró-americana da sociedade venezuelana e a necessidade de reconstruir as instituições democráticas do país. Ela reiterou sua lealdade e orgulho em trabalhar ao lado de Edmundo González, a quem trata como o legítimo presidente eleito após o pleito conturbado de 2024. O objetivo, segundo ela, é garantir que os direitos humanos e a liberdade de expressão sejam protegidos por um governo de transição sólida.
Apesar do tom cordial do encontro, o ambiente político em Washington ainda apresenta nuances de cautela. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ressaltou no início da reunião que o presidente Trump ainda mantém dúvidas sobre a viabilidade de Maria Corina Machado como governante direta, preferindo manter o foco no reconhecimento institucional de González. No entanto, o simples fato da recepção oficial sinaliza um avanço nas conversações sobre o futuro político de Caracas.
Crise humanitária e o retorno dos exilados
Um dos pontos mais sensíveis da pauta foi o impacto da crise econômica sobre as crianças e o sistema educacional venezuelano. Maria Corina Machado relatou que Trump demonstrou preocupação genuína com a precarização das escolas e os baixos salários dos professores. A líder defendeu que a solução para a crise migratória não é apenas o controle de fronteiras, mas a libertação política da Venezuela.
"Quando a Venezuela se libertar, milhões de venezuelanos voltarão por vontade própria", afirmou Maria Corina Machado, destacando o otimismo em relação à recuperação da soberania nacional.
Próximos passos na diplomacia regional
Embora detalhes específicos sobre novos acordos ou sanções não tenham sido divulgados imediatamente após a audiência, a percepção nos bastidores do Capitólio é de que a figura de Maria Corina Machado consolidou-se como a principal articuladora internacional da oposição. A reunião serviu para alinhar as expectativas sobre como a administração Trump deve lidar com o governo interino de Delcy Rodríguez nos próximos meses.
A gestão de Trump deve continuar pressionando por uma transição que afaste definitivamente as estruturas herdadas do chavismo. Para Maria Corina Machado, o reconhecimento de seu papel como Nobel da Paz e líder popular é a ferramenta necessária para manter a Venezuela no topo da agenda de segurança nacional dos Estados Unidos ao longo de 2026.
[1] https://abcdoabc.com.br/maria-corina-machado-nobel-da-paz-2025/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos