Fisiculturismo no ABC: desafios ocultos e histórias reais de atletas da região

Fisiculturismo no ABC: desafios ocultos e histórias reais de atletas da região
Fisiculturismo no ABC: desafios ocultos e histórias reais de atletas da região O fisiculturismo, por muito tempo restrito a nichos especializados, vem ganhando força no Brasil com o avanço da cultura fitness, a influência das redes sociais e o aumento da visibilidade em campeonatos regionais e internacionais. No Grande ABC Paulista, esse movimento também é evidente: academias ampliam sua estrutura, a demanda por profissionais especializados cresce, e novos atletas buscam espaço nas competições. Por trás dos palcos e dos corpos definidos, no entanto, há uma realidade marcada por sacrifícios físicos, emocionais e financeiros. Por isso, nós do ABCdoABC fomos buscar um panorama do fisiculturismo no ABC, retratando duas trajetórias distintas: a de Pedro Henrique, atleta profissional em ascensão, e a de Jefferson Pereira, ex-atleta que deixou as competições após dificuldades com a rotina e a vida profissional. Os bastidores de uma rotina extrema “Comecei no esporte para melhorar minha autoestima. Hoje, o fisiculturismo moldou quem eu sou”, afirma Pedro Henrique, 20 anos, atleta da categoria classic physique e morador de Ribeirão Pires. Sua rotina é milimetricamente planejada: treinos diários, dieta rigorosa, suplementação estratégica e consultas frequentes com médicos e nutricionistas. “Na fase pré-competição, tudo é controlado: água, sódio, carboidratos. Qualquer detalhe pode impactar no resultado final.” Ver essa foto no Instagram [1]Uma publicação compartilhada por Pedro Henrique Perdão 🇪🇸 (@opedro.gym) [2] Pedro destaca que o maior impacto do esporte foi em sua mentalidade. “Foco, disciplina e resiliência são as maiores lições que carrego. Isso reflete em todas as áreas da minha vida.” Para ele, o crescimento da modalidade no Brasil é visível e promissor, impulsionado pela profissionalização e maior presença na mídia. Do palco à desistência: quando o corpo não aguenta mais Do outro lado da moeda está Jefferson Pereira, ex-atleta da região que não compete há mais de uma década. “Peguei gosto pela rotina de treinos e dieta, e competir foi o passo seguinte", relembra. Embora descreva suas duas experiências no palco como inesquecíveis, o acúmulo de empregos e a falta de tempo o afastaram do esporte. “Não consegui alinhar os horários de treinamento,  dieta, descanso e trabalho. “Eu fiquei uma pessoa sedentária”, completa Jefferson. Jefferon Pereira, ex-atleta de Fisiculturismo no ABC I Foto: Divulgação/Acervo Pessoal Hoje, Jefferson não treina mais. Sente no corpo as consequências da inatividade: fraqueza, dores, lentidão. Seu conselho para iniciantes é claro: “Respeite o limite do seu corpo, procure estudar sobre os treinos ou tenha a ajuda de um profissional voltado para o seu objetivo,  se é competir tenha um profissional que seja focado em competições,  se for apenas para melhoraria de saúde e bem estar procure um profissional focado nessa área. Pratique alguma atividade física,  seu corpo futuramente irá lhe agradecer.” Saúde, anabolizantes e os riscos por trás da estética A busca pela estética perfeita exige mais do que treino e dieta regrada. Exige sacrifícios físicos, emocionais e, em muitos casos, o uso de substâncias para ganho de massa muscular e definição extrema. “Ainda é comum, especialmente em níveis mais altos”, admite o atleta Pedro Henrique. “O problema é quando o uso é feito sem acompanhamento. Pode trazer diversos efeitos colaterais: hormonais, hepáticos, cardiovasculares e psicológicos.” Foto: Unsplash Diogo Cirico, nutricionista e responsável técnico da Growth Supplements, reforça esse ponto com uma visão direta do cenário competitivo: “Sim, quanto mais elevado o nível da competição, mais comum é o uso de drogas. O fisiculturismo é uma competição estética, neste caso não há performance envolvida, apenas a aparência dos atletas.” Entre a glória e o abandono: o custo do palco Competir no fisiculturismo vai muito além dos treinos intensos. O investimento financeiro é alto e, muitas vezes, incompatível com o retorno obtido pelos atletas. Pedro Henrique, fisiculturista da categoria classic physique, detalha os gastos envolvidos em uma preparação completa: “Entre alimentação de qualidade, suplementos, academia, acompanhamento de coach, médicos, exames, inscrições, viagens e trajes, é fácil gastar alguns milhares de reais por preparação. Competições maiores exigem ainda mais estrutura.” Além do impacto financeiro, ele destaca o peso emocional que acompanha o estilo de vida exigido pelo esporte. “Custo emocional e financeiro. Nem todo mundo tem apoio ou retorno financeiro imediato. A pressão estética, a rotina dura, lesões e frustrações também são fatores que desmotivam. Muita gente entra achando que é só treinar pesado, mas é um estilo de vida.” Diogo Cirico, complementa o cenário ao apontar outros motivos frequentes que levam atletas a desistirem da carreira: “Altos custos, lesões, falta de apoio das pessoas que convivem com o atleta, problemas de saúde ocasionados pela alta intensidade do treino e pelo abuso de drogas.” O caminho de um atleta profissional e inspirações Cada competição no fisiculturismo representa um aprendizado único, um verdadeiro desafio que impulsiona o atleta a superar seus limites. “Cada competição é uma aula. A primeira vez no palco é uma mistura de nervosismo e realização. E sim, o nível sobe a cada ano, os atletas estão mais preparados, mais condicionados, e o público mais exigente. Isso força todo mundo a evoluir”, revela Pedro Henrique, jovem atleta profissional da categoria classic physique. LEIA MAIS: Fisiculturismo: os primeiros passos para entrar no esporte [3] Com o esporte crescendo em nível técnico e em popularidade, a busca pela excelência se torna ainda mais intensa. Pedro destaca a importância de referências que inspirem a jornada: “Minha maior referência é o Ronnie Coleman, pela mentalidade e entrega total. No Brasil, admiro muito atletas como Júlio Balestrin.” Seu maior objetivo é ambicioso e serve de motivação não só para ele, mas para toda a nova geração: “Competir no exterior representando o Brasil e inspirar outros a acreditarem que é possível.” Estrutura e incentivo do Fisiculturismo no ABC “Melhorou muito. Hoje temos boas academias, profissionais qualificados, eventos locais e regionais, marcas apoiando atletas. Claro, ainda há carência de patrocínio e visibilidade, mas o cenário está evoluindo”, avalia Pedro Henrique sobre a realidade do fisiculturismo no ABC. Para o nutricionista Diogo Cirico, o crescimento do esporte no Brasil está diretamente ligado ao aumento da prática de atividade física e ao interesse popular. “A prática regular de atividade física traz diversos benefícios, tanto para saúde física quanto mental, além de promoverem aspectos sociais e de desenvolvimento pessoal. Não poderia ser diferente com o fisiculturismo, por este motivo a prática deve ser encorajada pensando nos benefícios à saúde.” Divulgação/Growth Supplements Cirico destaca ainda o papel da Growth Supplements no fomento ao esporte: “Patrocina centenas de atletas contribuindo financeiramente com as atividades destes, patrocina eventos e competições melhorando as premiações entregues aos atletas. Além disso, a Growth é conhecida nacionalmente pelo investimento em produção de conteúdo digital aproximando o público do esporte e dos atletas, possibilitando aos atletas terem mais visibilidade no cenário digital e real.” Para quem quer começar: mais que um corpo, uma mentalidade Apesar das dificuldades, o fisiculturismo no ABC continua atraindo novos adeptos que enxergam no esporte mais do que estética. Para Pedro Henrique, que representa a nova geração de atletas, a modalidade é uma jornada de transformação pessoal. “Não entre apenas pelo físico. O fisiculturismo é uma escola de disciplina, dor e constância. Cerque-se de pessoas que te puxem pra cima, busque informação com responsabilidade e respeite seu tempo. Não é sobre ser melhor que os outros, é sobre ser melhor do que você era ontem.” Um recado que mostra a essência de um esporte exigente, mas profundamente formador, dentro e fora do palco. [1] https://www.instagram.com/reel/DH9Mi7bPoFC/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading [2] https://www.instagram.com/reel/DH9Mi7bPoFC/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading [3] https://abcdoabc.com.br/fisiculturismo-os-primeiros-passos-para-entrar-no-esporte/