Diagnóstico ambiental aponta Ribeirão Quilombo como o mais poluído da bacia do Rio Piracicaba

Diagnóstico ambiental aponta Ribeirão Quilombo como o mais poluído da bacia do Rio Piracicaba

Ribeirão Quilombo, em Nova Odessa Reprodução/ Prefeitura de Nova Odessa A segunda etapa de um diagnóstico ambiental, divulgada nesta quinta-feira (31), aponta o Ribeirão Quilombo, que corta cidades da região, como o mais poluído entre os que integram a bacia do Rio Piracicaba. Um grupo de pesquisa com profissionais de várias áreas ligadas ao meio ambiente está há oito meses realizando expedições de monitoramento para mapear a qualidade da água do Rio Piracicaba e dos afluentes. A análise foi feita duas vezes, com intervalo de quatro meses, e com o passar do tempo o quadro se agravou. No Ribeirão Quilombo, foram revelados 16 parâmetros fora dos limites determinados pela legislação ambiental, incluindo os de coliformes fecais, fósforo e cloro. "É um ribeirão praticamente morto, onde foi encontrado coliformes fecais, sulfeto. Ou seja, você tem uma carga muito grande de esgoto in natura, que pode ser de estações de tratamento ineficientes, ou que é jogado de forma clandestina", afirma o diretor de Sustentabilidade & ESG da BluestOne, Alexandre Resende. LEIA TAMBÉM: Níveis de coliformes fecais na bacia do Rio Piracicaba estão até 24 vezes acima do permitido, diz estudo Estudo identifica 13 corpos d'água da bacia do Rio Piracicaba com oxigênio insuficiente para vida aquática "Se você ver a cor desse ribeirão chegando ao Rio Piracicaba é uma mancha que vai se estendendo até o [Rio] Tietê, e isso contribui com a proliferação de algas e todo o problema abaixo do córrego", afirma José Valdir Lopes, presidente da Associação Remo. As amostras foram coletadas em 22 pontos da nascente do Rio Piracicaba até desaguar no Rio Tietê. Depois, o material depois passou por estudos em laboratórios. A expedição também usou técnicas consideradas inovadoras no monitoramento do rio, como a análise do DNA ambiental, que permitiu identificar fragmentos genéticos de espécies presentes na água, o que pode nortear futuras ações de repovoamento e conservação da biodiversidade. ✅ Receba no WhatsApp notícias da região de Piracicaba Disponibilização de dados em aplicativo O resultado da segunda etapa do estudo foi apresentado nesta quinta-feira (31), em um evento nacional de promoção de práticas de ESG, realizado em Piracicaba. O objetivo é incentivar práticas de sustentabilidade, responsabilidade social e boas ações dos setores público e privado. Para dar continuidade ao projeto, foi criado um aplicativo para que a população possa ter acesso aos dados da pesquisa em tempo real. Acesse as estatísticas do mapeamento neste link. Dados entregues ao Ministério Público O estudo também foi entregue ao Ministério Público, para nortear ações do órgão. "[O estudo] vai permitir que façamos investigações específicas, instaurando procedimentos e inquéritos civis, juntando isso como prova no inquérito civil ou na ação civil pública. Por outro lado, [...] acompanhar o licenciamento, com base na qualidade de água por trechos, dos rios que contribuem com o Rio Piracicaba, que são chamados afluentes. E usar isso, inclusive, num maior nível de exigência para tratamento de esgoto", elencou o promotor Ivan Carneiro Castanheiro, do Gaema. Tragédia ambiental O estudo teve início depois da maior tragédia ambiental registrada no Rio Piracicaba, em julho do ano passado. O descarte de resíduos no Ribeirão Tijuco Preto provocou a mortandade de 235 mil peixes. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontou a Usina São José, de Rio das Pedras (SP), como origem do poluente, e aplicou uma multa de R$ 18 milhões na empresa, que recorreu e ainda não pagou o valor. O recurso segue em análise. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.