Bugio de espécie ameaçada de extinção nasce no Zoo de SBC

Bugio de espécie ameaçada de extinção nasce no Zoo de SBC
Bugio de espécie ameaçada de extinção nasce no Zoo de SBC Bugio é o nome que estampa a mais nova vitória da conservação ambiental em São Bernardo do Campo [1]. O Zoológico [2] municipal, localizado dentro do Parque Estoril, no Riacho Grande, registrou um marco científico histórico em sua trajetória: o nascimento de um filhote de bugio-ruivo (Alouatta guariba). Embora o nascimento tenha ocorrido em 1º de dezembro de 2025, o mistério sobre o sexo do animal só foi desvendado no último dia 13 de janeiro, quando a equipe técnica confirmou tratar-se de um macho. O desafio da reprodução do bugio em cativeiro O nascimento deste pequeno bugio foi intensamente comemorado por veterinários, biólogos e tratadores da Secretaria de Serviços Urbanos. A espécie figura na lista de primatas mais ameaçados do planeta, e sua reprodução em ambientes controlados é considerada rara e complexa. Para se ter uma ideia do desafio, nos últimos anos, apenas três zoológicos brasileiros haviam registrado sucesso semelhante: Cascavel (2021), Ribeirão Preto (2023) e Brasília (2024). O sucesso em São Bernardo é fruto de um manejo cuidadoso e da resiliência dos pais, Joana e Gil. Ambos são sobreviventes de traumas severos na natureza. Gil foi resgatado ainda jovem com ferimentos, possivelmente causados por um macho alfa. Já Joana foi encontrada agarrada ao corpo da mãe, que morreu em um acidente elétrico; na tragédia, a primata perdeu um braço. Reabilitados, os dois formaram o casal que agora apresenta o novo bugio à biodiversidade brasileira. Monitoramento e cuidado sem intervenção humana A identificação do sexo do filhote demorou mais de 40 dias devido a uma política rígida de bem-estar animal. Segundo a bióloga Julia Alice Vila Furgeri, responsável pela divulgação científica do equipamento, a equipe optou pela observação à distância para evitar qualquer estresse que pudesse levar à rejeição do filhote. "Ninguém da nossa equipe encostou nos animais nesse tempo. O filhote ficava o tempo todo pendurado na mãe, impossibilitando a identificação", explica Julia. A descoberta só foi possível no dia 13 de janeiro, quando o pequeno bugio começou a explorar o recinto por conta própria, permitindo a visualização dos órgãos genitais. Proteção especial para o novo bugio do Estoril Para garantir a tranquilidade da família, o zoológico instalou uma proteção de madeira na parte de vidro do recinto, mantendo apenas pequenos vãos para a observação dos visitantes. Essa medida impede que o movimento excessivo de pessoas estresse os primatas. Como o filhote de bugio ainda depende exclusivamente do aleitamento materno, ele não foi pesado ou medido fisicamente. Estima-se, contudo, que o bebê pese cerca de 600 gramas e tenha 20 centímetros. Quando atingir a fase adulta, ele poderá chegar a 70 cm de comprimento e pesar até 10 kg. A observação constante é vital, especialmente porque o pai, Gil, foi criado artificialmente "na mamadeira", o que torna o seu comportamento de cuidado parental um objeto de estudo valioso para as instituições que manejam a espécie. Um símbolo de esperança para a Mata Atlântica O nascimento deste bugio em São Bernardo reforça o papel dos zoológicos modernos como centros de conservação e pesquisa, e não apenas de lazer. Em um cenário onde as populações selvagens sofrem com a fragmentação de matas e doenças, cada nascimento em cativeiro representa uma reserva genética crucial para a sobrevivência da espécie a longo prazo. A chegada do novo integrante ao Parque Estoril não é apenas um evento local, mas uma contribuição significativa para o Plano de Ação Nacional de Conservação de Primatas, consolidando o Zoo de São Bernardo como referência no manejo de fauna silvestre resgatada. [1] https://www.saobernardo.sp.gov.br/web/turismo/a-cidade [2] https://abcdoabc.com.br/zoologico-de-sao-bernardo-modelo-cuidado-fauna/