
Na noite de quinta-feira (10), a Avenida Paulista, emblemática via da capital paulista, foi o palco de um expressivo protesto organizado por diversas frentes sociais e partidos de esquerda, incluindo Brasil Popular e Povo sem Medo. Com início às 17h, a manifestação se intensificou ao longo da noite, reunindo aproximadamente 15 mil pessoas, conforme dados do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common.
Os manifestantes, muitos trajando camisetas da Seleção Brasileira e vestimentas nas cores verde e amarelo, ecoaram gritos de "soberania brasileira" e "sem anistia", direcionando críticas tanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro quanto ao atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas [1] (Republicanos). O ato também abordou a questão da taxação dos super-ricos proposta pelo governo federal.
O protesto teve como foco principal a recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou um aumento nas tarifas de importação. Os participantes exigiram que o Congresso Nacional tome medidas para taxar as altas rendas e reformule a política fiscal atual, que beneficia uma minoria econômica.
Cartazes expostos pelos manifestantes traziam mensagens contundentes como "Congresso inimigo do povo" e "Brasil com 's' de soberano", refletindo o descontentamento em relação à situação econômica e social do país. Durante o evento, políticos como os deputados federais Guilherme Boulos, Erika Hilton e Luciene Cavalcante, além do deputado estadual Eduardo Suplicy, se pronunciaram em apoio às demandas populares.
Enquanto a manifestação prosseguia em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP [2]), a cidade observava uma mobilização significativa contra as desigualdades sociais exacerbadas pelas políticas fiscais atuais. Os organizadores enfatizaram que a taxação dos super-ricos é uma medida necessária para compensar a perda de arrecadação causada pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil mensais.
Para 2026, o governo estima arrecadar cerca de R$ 25 bilhões através da nova tributação sobre aqueles que recebem mais de R$ 50 mil por mês. Em contrapartida, a isenção proporcionará uma perda próxima aos R$ 26 bilhões na arrecadação. O novo sistema prevê alíquotas progressivas que vão desde 2,5% até 10% sobre rendas anuais que ultrapassam R$ 600 mil.
Os participantes da manifestação [3]deixaram claro seu descontentamento com as políticas que favorecem os ricos em detrimento da população mais vulnerável, sinalizando que este tipo de mobilização é crucial para pressionar por mudanças significativas no cenário político e econômico brasileiro.
[1] https://abcdoabc.com.br/tarcisio-de-freitas-atribui-aumento-de-tarifas-aos-eua-a-lula/
[2] https://masp.org.br/visite
[3] https://abcdoabc.com.br/confronto-em-paraisopolis/