Trabalho remoto entra em fase de ajuste em 2026

Trabalho remoto entra em fase de ajuste em 2026
Trabalho remoto entra em fase de ajuste em 2026 Após a expansão acelerada durante a pandemia, o home office [1]passou, em 2025, por seu teste mais duro. O movimento de retorno aos escritórios ganhou força, impulsionado por dificuldades de supervisão, queda de engajamento e conflitos sobre controle da produtividade. Para especialistas, 2026 não marcará o fim do home office, mas sim uma fase de reorganização estrutural, jurídica e cultural. Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, define o cenário como uma “falha sistêmica de preparo”. Segundo ela, empresas e colaboradores foram lançados à autonomia total sem planejamento adequado, o que gerou desgaste emocional, ruídos na gestão e impactos na saúde ocupacional. Monitoramento digital e crise de confiança (Marcelo Camargo / Agência Brasil) O uso de ferramentas de monitoramento se tornou um dos temas mais sensíveis do último ano. Sistemas capazes de rastrear cliques, tempo de tela e movimentação do mouse passaram a ser adotados como tentativa de mensurar produtividade no home office. De um lado, empresas buscam dados concretos para justificar a manutenção do regime remoto. Do outro, trabalhadores relatam sensação de vigilância constante, aumento do estresse e o chamado “teatro da produtividade”, quando o foco passa a ser parecer ocupado, e não necessariamente produzir melhor. Riscos jurídicos e exigências legais no Home Office A consolidação do modelo híbrido exige atenção à legislação. Segundo o advogado Mourival Boaventura Ribeiro, muitas empresas ainda não se adaptaram plenamente à Lei nº 14.442/22 [2], que regula o home office. Entre os principais pontos que precisam ser formalizados estão a definição clara do regime de trabalho, se por jornada ou por produção, além das regras sobre controle de horário, fornecimento de equipamentos e responsabilidade sobre custos operacionais. Segurança da informação e ergonomia entram no radar A infraestrutura doméstica também passou a ser vista como um ponto crítico. Para Carol Lagoa, da Witec, dispositivos pessoais sem proteção adequada representam risco real de ataques cibernéticos e vazamento de dados corporativos, especialmente em setores estratégicos. Já do ponto de vista da saúde, a NR-17, que trata da ergonomia, continua válida mesmo fora do ambiente físico da empresa. Laudos ergonômicos, orientações técnicas e programas de prevenção são fundamentais para reduzir afastamentos e evitar ações trabalhistas relacionadas a doenças ocupacionais. O modelo que deve prevalecer em 2026 (Imagem: Depositphotos) A tendência para 2026 aponta para um equilíbrio pragmático. O trabalho 100% remoto deve se restringir a nichos específicos, como tecnologia e atendimento especializado, enquanto a maioria das organizações deve adotar o modelo híbrido, com dias fixos no escritório para fortalecer a cultura, a colaboração e o alinhamento estratégico. A gestão tende a migrar do controle da presença para a autonomia responsável, com metas claras, avaliações por entrega e atenção às condições reais de cada equipe. O sucesso do novo ciclo dependerá da capacidade das empresas de combinar flexibilidade, segurança jurídica e cuidado com as pessoas. [1] https://abcdoabc.com.br/o-home-office-e-a-saude-mental/ [2] https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14442.htm