Típico do Sul, pinhão reúne benefícios para coração, intestino e imunidade

Pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) registrado em Curitiba (PR) Maria Silvia Pitman / iNaturalist Símbolo da região Sul do Brasil, a Araucaria angustifolia, popularmente conhecida como pinheiro-do-Paraná, é uma árvore imponente que pode chegar a 20 metros de altura e guarda um verdadeiro tesouro em suas pinhas: o pinhão. A semente, consumida há séculos pelos povos indígenas, mantém seu espaço garantido na culinária brasileira, especialmente em pratos típicos do Sul e Sudeste do país. Além do sabor marcante e da versatilidade na cozinha, o pinhão se destaca pelo valor nutricional. Rico em fibras, ele contém vitaminas e minerais como cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio, fósforo, enxofre, sódio e potássio. Araucaria angustifolia registrado em Itamonte (MG) Luiz Moschini / iNaturalist Dentre os benefícios da presença desses compostos, está o bom funcionamento do intestino, controle da pressão arterial e redução do colesterol ruim (LDL). Ele também inclui ácidos graxos, como o ômega 6 e ômega 9, que reforçam a proteção ao coração e à saúde no geral. “Por conta do seu alto valor calórico, é um ótimo aliado para trabalhadores braçais, atletas, crianças e adolescentes em fase de crescimento”, explica o biólogo Douglas Ribeiro. Folhas da Araucaria angustifolia Juan Miguel Cancino / iNaturalist Seu consumo também está associado à melhora da função cerebral, ao combate ao envelhecimento precoce e até ao controle glicêmico, graças às fibras que modulam a absorção de glicose. “Há comprovações científicas sobre as propriedades medicinais do pinhão, onde diversos estudos realizados por universidades e instituições de pesquisa brasileiras e internacionais investigaram os compostos bioativos do pinhão e seus efeitos fisiológicos”, relata ele. Outros benefícios da espécie De acordo com o especialista, os benefícios do pinhão não param na semente. Diversas partes da araucária possuem propriedades medicinais. Dentre elas: Casca da semente: rica em flavonoides, taninos e compostos fenólicos. Possui ação antioxidante, anti-inflamatória e antidiabética; Folhas: contêm óleos essenciais, terpenos e resinas, que atuam como expectorante, antisséptico e analgésico; Resina: usado como cicatrizante, sendo aplicado em feridas e infecções de pele. Possui propriedades antifúngicas e bactericidas; Casca do tronco: conhecida como antioxidante potente. Sementes de Araucaria angustifolia seeds_of_change_project / iNaturalist Como consumir A melhor forma de consumir o pinhão para aproveitar seus benefícios nutricionais e medicinais é cozido, de preferência com casca, em água, sem sal ou aditivos. Esse método preserva seus nutrientes, reduz antinutrientes e melhora a digestibilidade da semente. Outras formas de consumo da semente incluem na forma de farinha, assada ou ainda, na brasa. “É importante evitar o consumo do pinhão cru, por conta da sua digestão, assim como evitar de cozinhar por muitas horas, pela perda de vitaminas”, orienta. O botânico ressalta que existem contraindicações no uso medicinal do pinhão como: Pessoas com sobrepeso, obesidade ou diabetes: que devem consumir a semente com moderação por causa do alto teor calórico; O consumo do pinhão cru pode causar má digestão, gases, cólicas abdominais, náuseas e constipação; Pessoas com histórico de alergia a sementes oleaginosas devem ter cautela no consumo; Pessoas com problemas renais devem evitar o consumo exagerado, pois o pinhão é rico em potássio. Folhas da araucária serviram de alimento para alguns dinossauros Folhas da araucária serviram de alimento para alguns dinossauros VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
