
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva [1] decidiu elevar o enfrentamento às organizações criminosas a um novo patamar institucional no Brasil. A partir desta quinta-feira (15), o combate ao crime organizado deixa de ser apenas uma política de governo para se tornar uma "ação de Estado". A diretriz prevê uma atuação integrada, permanente e coordenada entre o Poder Executivo, o Ministério Público e o Judiciário, visando dar uma resposta à altura do avanço da criminalidade transnacional.
O anúncio foi detalhado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, após reunião convocada por Lula no Palácio do Planalto. O encontro de alto nível reuniu dirigentes da Polícia Federal [2], Receita Federal, Banco Central, além da cúpula do sistema de Justiça, marcando o início de uma cooperação técnica sem precedentes.
Estratégia de Lula foca em asfixia financeira e inteligência
A nova orientação do governo Lula reconhece que ações isoladas, embora eficientes, tornaram-se insuficientes diante do poder econômico e da estrutura das facções. A proposta central é que órgãos de fiscalização e investigação, como a Polícia Federal e a Receita, trabalhem em sintonia fina com o Ministério Público e o Judiciário para acelerar denúncias e garantir que as sentenças sejam efetivas.
"Para que essas iniciativas alcancem um determinado grau de eficácia, precisam da colaboração desses órgãos de Estado", destacou o ministro Wellington César Lima. Um dos eixos fundamentais dessa estratégia de Lula é a descapitalização das quadrilhas. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reforçou que o foco será o "andar de cima" do crime organizado, priorizando ações de inteligência que atinjam o patrimônio e as contas bancárias dos líderes criminosos.
Integração internacional e apoio do Judiciário
A articulação liderada por Lula recebeu apoio imediato de figuras-chave do Estado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, manifestaram suporte à criação de um espaço institucional de cooperação permanente. Esta unidade visa garantir que o combate ao crime respeite as autonomias constitucionais, mas opere sob uma coordenação centralizada de informações.
O sucesso desse modelo de integração já colhe frutos em escala global. A Polícia Federal citou como exemplo a apreensão de quase 10 toneladas de drogas na Espanha — a maior da história daquele país — realizada a partir de investigações conduzidas no Brasil. Segundo o governo Lula, aprofundar essas parcerias internacionais é vital para enfrentar o caráter transnacional das atuais organizações criminosas.
Próximos passos e cooperação com governadores
A decisão do presidente Lula representa um marco na segurança pública ao admitir que o desafio exige uma atuação contínua, que deve pairar acima de alternâncias políticas. O ministro da Justiça informou que os próximos passos incluem:
Detalhamento técnico: Reuniões posteriores para definir protocolos de compartilhamento de dados.
Pacto Federativo: Aprofundar a cooperação com estados e governadores para integrar as polícias locais à nova estratégia nacional.
Estruturação da pasta: Organização de equipes específicas no Ministério da Justiça voltadas para a coordenação desta "ação de Estado".
Com este movimento, o governo Lula tenta consolidar uma resposta robusta à sensação de insegurança e ao avanço do domínio territorial de facções, apostando na união de forças entre os Poderes como o único caminho para resultados perenes e eficazes na segurança nacional.
[1] https://abcdoabc.com.br/lula-mensagem-de-fim-de-ano/
[2] https://www.gov.br/pf/pt-br