
O setor de energia, recursos naturais e produtos químicos atravessa uma transformação estrutural onde a tecnologia e a sustentabilidade tornaram-se pilares inegociáveis. De acordo com o estudo global da KPMG, a grande maioria dos CEOs (82%) aposta na Inteligência Artificial (IA) [1] como ferramenta vital para a redução de emissões e a otimização do consumo energético em tempo real.
Apesar do entusiasmo com a inovação, o levantamento "KPMG 2025 Global Energy, Natural Resources and Chemicals" [2] acende um alerta sobre a governança: apenas 26% dos gestores demonstram alta confiança nas práticas de supervisão de Inteligência Artificial aplicadas ao ESG.
Inteligência Artificial como motor da estratégia climática e de dados
(Imagem: Freepik)
A aplicação da Inteligência Artificial no setor vai além da eficiência operacional. Para 74% dos entrevistados, a tecnologia é fundamental para aprimorar a análise de riscos climáticos e a modelagem de cenários futuros. Além disso, 79% dos líderes apoiam o uso da ferramenta para melhorar a qualidade e a transparência das divulgações de dados relacionados à sustentabilidade.
Manuel Fernandes, sócio líder da KPMG, destaca que os CEOs estão repensando a transição energética e reconhecem que a sustentabilidade se tornou a forma padrão de operação das empresas. No entanto, a integração prática ainda enfrenta barreiras: apenas 38% dos CEOs integram totalmente os fatores ESG em suas decisões de investimento de capital.
O desafio do talento: Superando a lacuna de habilidades
A implementação bem-sucedida da Inteligência Artificial esbarra em um obstáculo humano. Para 43% dos CEOs, a falta de mão de obra qualificada é a principal barreira, seguida pela forte concorrência salarial com as empresas de tecnologia (22%).
Para enfrentar esse cenário, as estratégias de retenção estão sendo intensificadas:
40% dos CEOs estão acelerando estratégias de talentos e requalificação.
72% focam em retreinar profissionais de alto potencial já existentes na casa.
31% adaptam o treinamento para preencher lacunas de conhecimento entre diferentes gerações.
Contudo, a democratização do conhecimento ainda é baixa, já que apenas 18% das organizações oferecem capacitação em IA para todos os seus colaboradores.
Perspectivas para 2026: Otimismo e Riscos Cibernéticos
(Imagem: Freepik)
O sentimento de mercado para os próximos anos é majoritariamente positivo, com 84% dos CEOs otimistas sobre o crescimento do setor a médio prazo. A IA generativa aparece como prioridade de investimento para 65% dos líderes. Entretanto, esse avanço tecnológico traz novos riscos: a segurança cibernética e a ética de dados permanecem como as maiores preocupações que podem frear a adoção em larga escala.
[1] https://abcdoabc.com.br/inteligencia-artificial-definir-alcanca-metas-2026/
[2] https://kpmg.com/xx/en/our-insights/value-creation/global-ceo-outlook-survey.html