Brasileiros envelhecem sem reserva e ampliam risco financeiro

Brasileiros envelhecem sem reserva e ampliam risco financeiro
Brasileiros envelhecem sem reserva e ampliam risco financeiro O Brasil avança rapidamente no processo de envelhecimento populacional sem ter resolvido um de seus principais desafios estruturais. A ausência de planejamento financeiro [1] de longo prazo. Dados da pesquisa “Aposentadoria, INSS e Previdência Privada: a realidade em 2025”, realizada pela ABEFIN [2]em parceria com o Instituto Axxus, mostram que a maioria dos brasileiros vive focada no presente, sem reservas suficientes para sustentar a vida futura. O levantamento revela que a população economicamente ativa, em sua maioria, não construiu qualquer colchão financeiro. Mesmo entre os 38% que afirmam poupar, o sentimento predominante é a insegurança. Apenas 19% dos brasileiros que possuem previdência privada [3]acreditam que conseguirão manter uma vida financeira saudável sem depender de terceiros na velhice. Entre os contribuintes do INSS, o pessimismo é ainda maior. Somente 7% confiam que o benefício público será suficiente para garantir uma aposentadoria digna. Para Reinaldo Domingos, presidente da ABEFIN, o cenário expõe uma vulnerabilidade silenciosa. “A ausência de um colchão financeiro de segurança não impacta apenas a previdência, a aposentadoria futura, mas também a capacidade de lidar com crises inesperadas, como desemprego ou doenças”, alerta. Por que o brasileiro não consegue poupar Marcello Casal Jr./Agência Brasil A pesquisa identifica três fatores centrais que dificultam o planejamento financeiro no país. O primeiro é a informalidade, que atinge cerca de 39 milhões de trabalhadores e impede contribuições regulares. O segundo é comportamental. O chamado desconto hiperbólico leva o indivíduo a priorizar recompensas imediatas, como consumo, em detrimento da poupança. O terceiro fator é estrutural. Cerca de 95% da população nunca teve acesso a educação financeira prática e contínua. Esse conjunto de fatores cria um efeito de repetição entre gerações. O estudo aponta um ciclo de dependência que se retroalimenta. Atualmente, 41% dos idosos continuam trabalhando mesmo após a aposentadoria formal, enquanto 29% dependem financeiramente dos filhos. Essa sobrecarga compromete a renda das famílias mais jovens, que acabam adiando ou abandonando a construção das próprias reservas. Impactos sociais e econômicos Shutterstock O problema ultrapassa o âmbito individual da previdência. A combinação entre envelhecimento acelerado, baixa poupança e informalidade amplia a pressão sobre o sistema previdenciário e sobre as famílias. Sem planejamento financeiro, o risco social deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Especialistas defendem que a reversão desse cenário exige ações coordenadas. A educação financeira precisa ocupar espaço central nas escolas, empresas e políticas públicas. Produtos mais flexíveis, como micro poupança com contribuições via PIX, podem facilitar a adesão de trabalhadores informais. Outro ponto decisivo é a automatização, com mecanismos que estimulem o hábito de poupar sem depender exclusivamente da disciplina individual. O alerta do estudo é direto. Sem mudança de mentalidade e sem políticas de inclusão financeira eficazes, o Brasil seguirá formando gerações que chegam à velhice sem segurança econômica. O envelhecimento é inevitável. A precarização da aposentadoria, não. [1] https://abcdoabc.com.br/como-o-planejamento-financeiro-pode-garantir-sucesso-em-2025/ [2] https://abefin.org.br/ [3] https://abcdoabc.com.br/previdencia-privada-sete-motivos-para-inclui-la-no-seu-planejamento-financeiro/