Governador de São Paulo reconhece ilegalidade em ação policial após morte em Paraisópolis

Governador de São Paulo reconhece ilegalidade em ação policial após morte em Paraisópolis
Governador de São Paulo reconhece ilegalidade em ação policial após morte em Paraisópolis Em uma declaração feita neste sábado (12/7), o governador de São Paulo [1], Tarcísio de Freitas [2], do partido Republicanos, abordou a situação envolvendo a morte de um jovem na comunidade de Paraisópolis, situada na zona sul da capital paulista. A fatalidade ocorreu na última quinta-feira (10/7) e resultou em protestos significativos por parte dos moradores locais. Após uma análise minuciosa das imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais militares envolvidos no incidente, o governador destacou a ocorrência de "ilegalidade" nas ações dos agentes. Segundo testemunhas, o jovem Igor Oliveira, de 24 anos, que foi alvejado durante a operação, estava desarmado. Tarcísio comentou sobre a reação da comunidade, que levou as autoridades a questionar a conduta dos policiais. "Observamos que houve um desvio de conduta e não toleraremos isso. Embora apoiemos as forças de segurança, não aceitaremos abusos ou ilegalidades", afirmou o governador durante um evento em Cerquilho, no interior do estado. Em uma coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (11/7), o coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, também manifestou que não havia justificativa para que os policiais atirassem em um homem já rendido. As investigações foram reforçadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que corroborou que as gravações das câmeras corporais evidenciam um ato de execução. Os policiais envolvidos no caso já foram detidos pela corregedoria da PM e enfrentam indiciamento por homicídio culposo. Tarcísio assegurou que os agentes serão levados à Justiça e responsabilizados por seus atos. O governador enfatizou a necessidade de investimentos em tecnologia e treinamento para evitar incidentes similares no futuro. "É essencial que ampliemos o uso de tecnologia e inteligência artificial nas operações policiais", acrescentou. Vale ressaltar que Tarcísio havia expressado anteriormente uma opinião contrária ao uso de câmeras corporais pelos policiais, mas após críticas e um aumento nos casos de violência policial, reconsiderou sua posição. Em dezembro do ano passado, ele admitiu que sua visão estava equivocada e se comprometeu a manter e expandir o programa de monitoramento por câmeras. A narrativa oficial da PM inicialmente indicava que os agentes estavam em patrulhamento quando receberam denúncias sobre indivíduos armados na região. Durante a operação, houve alegações de que os suspeitos teriam tentado fugir para uma residência local, resultando na morte de um deles durante os confrontos. Os moradores da comunidade reagiram com manifestações após o incidente, bloqueando ruas e confrontando a polícia. O protesto culminou em mais um caso fatal, embora a PM tenha afirmado não haver excessos por parte dos seus agentes nesta nova ocorrência. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) dividiu as investigações entre os dois eventos — a operação que levou à morte do jovem e os distúrbios subsequentes — ambas sob análise pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Além disso, um inquérito policial militar foi instaurado para apurar os fatos com detalhes. Paraisópolis é notoriamente conhecida por liderar o número de mortes causadas pela polícia na capital paulista. Segundo uma reportagem recente do Metrópoles, essa comunidade registrou 246 mortes em ações policiais, das quais 85 vítimas estavam desarmadas. A situação continua a ser monitorada pelas autoridades competentes enquanto se espera por esclarecimentos definitivos sobre os eventos trágicos recentes. [1] https://www.governo.sp.gov.br/ [2] https://abcdoabc.com.br/tarcisio-de-freitas-atribui-aumento-de-tarifas-aos-eua-a-lula/