
Os Correios [1] deram um passo decisivo para tentar sanar suas contas e modernizar sua operação. Em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) deste sábado (27), foi formalizada a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um sindicato de cinco bancos. A operação, que conta com garantia soberana da União, é o pilar central do plano de reestruturação que a diretoria da companhia detalhará na próxima segunda-feira (29).
O aporte bilionário será liberado de forma escalonada: R$ 10 bilhões entram no caixa da estatal ainda em 2025 — com a primeira parcela prevista para segunda-feira — e os R$ 2 bilhões restantes serão integralizados até o fim de janeiro de 2026. O contrato possui prazo de 15 anos, incluindo três anos de carência inicial.
Estrutura financeira dos Correios e o consórcio de Bancos
A engenharia financeira para salvar os Correios [2]envolveu uma negociação complexa liderada pela Casa Civil e pelo Ministério da Fazenda. O grupo de financiadores é composto por instituições públicas e privadas, equilibrando o risco da operação:
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco: R$ 3 bilhões cada.
Itaú e Santander: R$ 1,5 bilhão cada.
O custo da transação foi fechado em 115% do CDI, índice que atende às exigências do Tesouro Nacional. A escolha deste grupo de bancos evitou um prejuízo projetado de R$ 5 bilhões aos cofres da estatal, caso tivesse sido aceita a proposta anterior com taxas de 136% do CDI. Para viabilizar o negócio, o Conselho Monetário Nacional (CMN) precisou aprovar um limite de crédito específico, já que o espaço para novos empréstimos no setor público estava praticamente esgotado.
O desafio da reestruturação e o novo PDV
Apesar do vulto da operação, o valor de R$ 12 bilhões é inferior aos R$ 20 bilhões inicialmente pleiteados pelos Correios. Isso significa que a empresa precisará demonstrar eficiência imediata em seu plano de corte de despesas para evitar a necessidade de novos aportes em 2026, ano de eleições.
O plano de reestruturação dos Correios foca em pontos sensíveis da operação:
Redução de Quadro: Implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com meta de desligar 15 mil funcionários entre 2026 e 2027.
Saneamento de Dívidas: Regularização imediata de pendências com fornecedores e bancos.
Reformulação de Benefícios: Revisão do plano de saúde e do plano de cargos e salários, visando alinhar os custos da estatal à sua realidade financeira atual.
Conflito trabalhista e julgamento no TST
A tentativa de reforma nos Correios ocorre sob forte tensão sindical. A categoria rejeitou as propostas de limitação de benefícios que excedem a CLT, o que resultou em uma greve nacional. Sem acordo na mediação, o caso foi encaminhado para dissídio coletivo.
O futuro das cláusulas sociais e de produtividade será decidido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em julgamento marcado para a próxima terça-feira (30). A decisão judicial será determinante para o sucesso do plano de reestruturação, uma vez que a folha de pagamento e os benefícios acessórios são apontados pela gestão como os principais gargalos para a sustentabilidade da empresa no longo prazo.
[1] https://abcdoabc.com.br/trabalhadores-correios-avaliam-greve-nacional/
[2] https://www.correios.com.br/