Cuidado com a saúde mental virou prioridade para 2026

Cuidado com a saúde mental virou prioridade para 2026
Cuidado com a saúde mental virou prioridade para 2026 O ambiente corporativo brasileiro atravessa uma transformação sem volta. Em 2025, a saúde mental [1]deixou de ser um tópico acessório em palestras de Recursos Humanos para se tornar uma prioridade estratégica na mesa dos CEOs. Não se trata apenas de empatia, mas de sobrevivência operacional: o Brasil registrou o impressionante número de 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, consolidando o maior volume da série histórica e evidenciando uma crise de exaustão sem precedentes. A urgência de uma nova gestão da saúde mental Os números revelados pelo Ministério da Previdência Social [2] são o sintoma de uma engrenagem que opera sob pressão extrema. Transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout figuram hoje entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade. Esse cenário brasileiro não é isolado; ele espelha uma crise global onde a saúde mental impacta diretamente a economia. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a perda de produtividade decorrente desses transtornos custa ao mundo mais de US$ 1 trilhão por ano. No Brasil, esse impacto financeiro é sentido no "bolso" das organizações por meio do absenteísmo e do turnover. Dados do Banco Mundial indicam que os prejuízos associados ao adoecimento psíquico equivalem a cerca de 4,7% do PIB nacional — o que representaria mais de R$ 550 bilhões considerando os dados de 2024. Diante desse rombo, o mercado começa a entender que negligenciar o bem-estar emocional é um erro de cálculo custoso. NR-1: O novo marco regulatório para 2026 Se até então o investimento em qualidade de vida era visto como um diferencial, a partir de maio de 2026 ele se torna uma exigência legal. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) impõe que as empresas identifiquem, avaliem e gerenciem os chamados riscos psicossociais. Isso inclui combater metas inatingíveis, sobrecarga de trabalho e falhas de liderança. Para Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, o momento é de transição. Ela destaca que, embora o tema tenha ganhado peso regulatório, muitas empresas ainda mantêm uma postura reativa, agindo apenas quando a crise — manifestada em processos trabalhistas ou perda de talentos — já está instalada. A nova legislação força as companhias a saírem do campo das campanhas simbólicas, como o Janeiro Branco, para a implementação de políticas de saúde mental contínuas e estruturadas. O retorno financeiro de cuidar das pessoas Engana-se quem pensa que o cuidado com o colaborador é apenas um centro de custo. Um levantamento realizado pelo Zenklub em parceria com a Harvard Business Review Brasil traz um dado encorajador: para cada R$ 1 investido em programas de saúde emocional, as empresas podem obter um retorno de até R$ 4. Esse ganho se traduz em maior engajamento, retenção de conhecimento e uma operação mais fluida. No entanto, o desafio de implementação é real. Uma pesquisa da Flash aponta que apenas 5% dos departamentos de RH se consideram totalmente preparados para as exigências da nova NR-1. "Saúde mental no trabalho não se sustenta com ações de conscientização isoladas; precisa de ajuste no desenho do trabalho e governança", reforça a especialista Grazi Piva. Retenção de talentos e o futuro do trabalho A mudança não vem apenas de cima para baixo. O trabalhador moderno está reavaliando suas prioridades. Segundo a Pesquisa Workmonitor 2024, da Randstad, 86% dos profissionais considerariam trocar de emprego se o ambiente comprometesse sua integridade psicológica. Em um mercado cada vez mais competitivo, a saúde mental se firmou como o novo pilar de sustentabilidade organizacional. As empresas que ignorarem essa realidade em 2025 não apenas enfrentarão sanções legais com a chegada da NR-1, mas também perderão seus melhores talentos para organizações que já entenderam que o capital humano é o ativo mais sensível e valioso de qualquer negócio. [1] https://abcdoabc.com.br/saude-mental-fim-de-ano-ansiedade/ [2] https://www.gov.br/previdencia/pt-br