
A CES 2026 [1] marcou a história em Las Vegas ao apresentar inovações que redefinem a fronteira entre humanos e máquinas, consolidando-se como o palco definitivo para a revolução robótica. Embora carros voadores e telas gigantescas tenham seu apelo visual, foram os autômatos — executando desde coreografias de K-pop até saltos mortais — que capturaram a atenção global na edição deste ano.
O evento evidenciou como a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas um software em nuvem para ganhar corpo e movimento. Anderson Soares, coordenador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG, destaca que a robótica tornou-se a aplicação mais tangível da IA. Segundo o especialista, o salto de qualidade visto na CES 2026 [2] reflete décadas de avanços em modelos generativos que agora controlam a matéria.
A era da IA Física domina a CES 2026
O grande diferencial desta edição foi a consagração da "IA Física". Este conceito, amplamente debatido nos corredores do evento, trata da capacidade dos robôs de compreenderem e aplicarem leis da física em tempo real para interagir com o mundo. Não basta processar dados; a máquina precisa "sentir" a gravidade, o atrito e o peso.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, foi categórico ao afirmar que o uso cotidiano de robôs com habilidades humanas é iminente. A empresa, vital no fornecimento de chips para este ecossistema, utilizou a CES 2026 para demonstrar como seus processadores estão viabilizando essa autonomia.
O espaço dedicado à robótica quebrou recordes de metragem, com gigantes apresentando soluções que impressionam pela fluidez:
Siemens: Focou em treinamentos robóticos via dados sintéticos.
Unitree e Boston Dynamics: Exibiram mobilidade avançada e equilíbrio dinâmico.
Wonik Robotics: Apresentou braços robóticos com precisão milimétrica para manipulação de objetos.
Processamento e adaptação contextual
A evolução apresentada na feira só é possível graças a um volume massivo de dados e simulações. Danilo Perico, coordenador de Engenharia de Robôs da FEI, explica que a IA Física permite que a máquina perceba o ambiente e tome decisões autônomas baseadas no aprendizado prévio, algo que ficou evidente nas demonstrações da CES 2026.
Para suportar essa carga de processamento, a infraestrutura de hardware precisa ser robusta. A Nvidia introduziu o supercomputador Vera Rubin, projetado especificamente para acelerar o desenvolvimento desses agentes robóticos. Essa capacidade computacional permite que redes neurais generalistas controlem diferentes modelos de robôs com a mesma eficiência, conforme observou Fabio de Miranda, pesquisador em IA.
Desafios técnicos e o horizonte da indústria
Apesar do otimismo, a implementação prática exige cautela e rigor. O engenheiro Dimitrios Chatzis ressaltou que, para alcançar a generalização total — onde um robô executa qualquer tarefa humana —, a indústria precisa superar barreiras complexas de treinamento. O uso de simulações digitais, método adotado pela Siemens, tem reduzido drasticamente o tempo necessário para ensinar novos movimentos aos autômatos.
A busca por máquinas multitarefa continua sendo o "santo graal" do setor. As inovações exibidas indicam que a barreira entre o laboratório e a sala de estar está diminuindo rapidamente. Jensen Huang reforçou essa visão, sugerindo que muitas dessas tecnologias começarão a integrar o cotidiano ainda este ano.
O cenário desenhado em Las Vegas serve como um indicativo poderoso. Se antes a robótica era promessa, a CES 2026 provou que a fusão entre inteligência artificial e mobilidade física já é uma realidade transformadora.
[1] https://abcdoabc.com.br/amazon-lanca-alexa-competir-chatgpt-gemini/
[2] https://www.ces.tech/