
A Artemis II decola nesta quarta-feira (1º de abril) rumo à órbita da Lua. O lançamento marca a primeira viagem tripulada ao satélite natural desde o fim do programa Apollo em 1972. A Nasa [1] agendou a partida para as 19h24 (horário de Brasília). Tudo depende do clima na plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A agência espacial americana cravou uma janela de duas horas para a decolagem do Artemis II. Caso os ventos não colaborem, os engenheiros preparam novas tentativas para os dias seguintes. Diferente do voo teste anterior, humanos ocupam os assentos agora.
O papel da Artemis II no novo programa espacial
A iniciativa liderada pela Nasa [2] busca reescrever a história da exploração cósmica. O nome homenageia a deusa grega irmã de Apolo. O objetivo principal extrapola a simples visita. A agência planeja fixar presença humana na superfície lunar e construir a estação orbital Gateway.
O voo atual dura dez dias e não fará pouso. Os quatro tripulantes viajam a bordo da cápsula Orion. Eles ultrapassam a face oculta da Lua e retornam à Terra. A trajetória de "retorno livre" dispensa manobras pesadas de propulsão. A gravidade faz o trabalho duro.
Essa jornada pavimenta a rota para a etapa seguinte do programa. A próxima fase promete levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra ao polo sul lunar até 2028. A meta final mira Marte.
O poder do foguete SLS e a resistência da cápsula Orion
O Sistema de Lançamento Espacial (SLS) assusta pelo tamanho. O megafoguete de 98 metros supera a altura da Estátua da Liberdade. Seus motores geram um empuxo de 4 milhões de quilos, o equivalente a 14 aviões Boeing 747 acelerando juntos.
Dois propulsores de combustível sólido ladeiam o estágio central. Após a queima inicial, a estrutura se solta. Um estágio superior assume o controle e empurra a Orion para o espaço profundo.
A cápsula protege a tripulação contra o ambiente hostil. O Módulo de Serviço Europeu (ESM) garante a sobrevivência básica. Ele fornece energia solar, controle térmico, água e oxigênio para a equipe.
"A missão será um passo decisivo para a exploração espacial humana. Avante, com ousadia."
A fala do administrador da Nasa, Jared Isaacman, reflete o peso geopolítico e científico da operação.
Quem são os quatro astronautas
A Nasa escalou uma equipe de elite para quebrar recordes com o Artemis II. Três americanos e um canadense formam o esquadrão. Eles superam qualquer distância alcançada por humanos nos últimos 50 anos.
Reid Wiseman: Comandante da operação e ex-piloto de caça da Marinha dos EUA.
Victor Glover: Piloto e primeiro homem negro escalado para orbitar a Lua.
Christina Hammock Koch: Especialista de missão e dona do recorde feminino de voo espacial contínuo.
Jeremy R. Hansen: Especialista de missão e primeiro canadense a viajar para o espaço profundo.
Todos os americanos possuem experiência na Estação Espacial Internacional. O coronel canadense faz sua estreia em órbita.
O roteiro da Artemis II nos dez dias de viagem
A Orion não toca o solo lunar. A tripulação executa um teste de estresse extremo em todos os sistemas de navegação e suporte de vida. O primeiro dia acontece na órbita da Terra.
Os astronautas assumem o manche. Eles pilotam a nave manualmente perto dos destroços do próprio foguete. O exercício simula o acoplamento futuro com outras estruturas espaciais.
A aproximação lunar ocorre entre 6.400 e 9.600 quilômetros de altitude. O momento crítico surge na face oculta do satélite. O rádio silencia por até 50 minutos. A Terra perde completamente o contato com a equipe.
Eles chegam a 7.500 quilômetros além da Lua. A marca estilhaça o recorde cravado pela Apollo 13. O retorno castiga o equipamento. A espaçonave atinge 40.000 km/h na reentrada atmosférica.
O escudo térmico enfrenta 3.000 graus Celsius. Três paraquedas gigantes de 35 metros freiam a queda antes do mergulho final no Oceano Pacífico.
Por que o lançamento demorou tanto?
A cautela substituiu a pressa. A Nasa investigou falhas críticas encontradas na primeira expedição não tripulada. O escudo térmico da Orion sofreu desgastes anormais na reentrada de 2022.
Pedaços da proteção derreteram de forma irregular. Gases presos causaram rachaduras no revestimento. Os engenheiros refizeram mais de 100 testes de segurança para garantir a vida da tripulação.
Vazamentos de hidrogênio e hélio adiaram o cronograma nos primeiros meses do ano. O frio extremo na Flórida ameaçou os propulsores. O fantasma do ônibus espacial Challenger ainda assombra os diretores de voo.
"Vamos voar quando estivermos prontos. A segurança da tripulação será nossa prioridade número um."
A declaração de John Honeycutt, chefe de gestão, define a regra de ouro da agência. Qualquer nuvem suspeita zera o relógio.
A nova corrida espacial e o peso político da Artemis II
O Congresso americano exige resultados práticos. A China programa pousos lunares para 2030 e acende o alerta em Washington. Os Estados Unidos lideram uma aliança internacional para manter a hegemonia no espaço.
O projeto envolve parceiros estratégicos cruciais. O Canadá entrega tecnologia robótica em troca da vaga de Hansen. A Europa assina a construção do módulo de serviço. O Japão desenha rovers pressurizados para o futuro.
O sucesso da Artemis II destrava os próximos investimentos bilionários do setor. A humanidade ensaia os primeiros passos para estabelecer colônias fora do planeta. A Lua virou o porto seguro antes do salto final rumo ao desconhecido.
[1] https://abcdoabc.com.br/retorno-de-astronautas-da-nasa-a-terra-previsto-para-quarta-feira-apos-9-meses-no-espaco/
[2] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjFntmQvsyTAxWCCLkGHTe4LQ0QFnoECF0QAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.nasa.gov%2F&usg=AOvVaw3NO_aot8LvFMKYKfoB6ey2&opi=89978449