
O verão inaugura o período mais crítico para a segurança nas águas brasileiras. O afogamento infantil [1] consolidou-se como a principal causa de óbitos entre crianças de 1 a 4 anos e a segunda maior causa na faixa de 5 a 9 anos, desafiando famílias e autoridades.
Dados alarmantes consolidados de 2025 revelam que o Brasil [2] registra, em média, 4 mortes diárias por essa causa. Mesmo com o amplo acesso à informação digital, os índices permanecem elevados, expondo uma lacuna estrutural entre a conscientização teórica e a prática preventiva nos lares.
O cenário de risco nas residências
A falsa sensação de segurança dentro de casa é, paradoxalmente, um dos maiores inimigos da prevenção. As piscinas residenciais concentram 55% das ocorrências na primeira infância.
A ausência de barreiras físicas — como cercas e portões de travamento automático — aliada à falta de supervisão ativa, transforma momentos de lazer em tragédia.
Durante as férias escolares, o cenário se agrava drasticamente. O número de casos de afogamento infantil dispara 40% nesta época. Esse aumento é impulsionado pelo maior tempo de exposição das crianças em:
Clubes recreativos;
Casas de veraneio;
Residências com piscinas compartilhadas;
Praias e balneários.
A disparidade regional também desenha o mapa do perigo no país. Estados como Amapá e Amazonas apresentam índices muito acima da média nacional, reflexo da exposição natural a rios e igarapés.
Em contrapartida, grandes centros urbanos como São Paulo mostram taxas menores, resultado direto de campanhas estruturadas. Contudo, para zerar as estatísticas de afogamento infantil, é necessária uma mudança cultural profunda na rotina das famílias.
A indústria contra o afogamento infantil
O mercado aquático brasileiro vive uma expansão consistente. O aumento de condomínios-clube e a popularização de piscinas domésticas impulsionam o setor, mas trazem uma nova camada de responsabilidade corporativa.
A conexão entre o uso seguro das piscinas e o estímulo à atividade física tornou-se vital para combater o afogamento infantil. Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo, reforça a urgência de as marcas assumirem um papel educativo:
“A segurança precisa caminhar junto com o prazer de estar na água. Nós observamos de perto como o mercado evoluiu e entendemos que marcas têm papel direto em orientar famílias, oferecer informação confiável e criar ferramentas práticas que salvem vidas.”
Vigilância ativa é a única solução
A discussão sobre segurança aquática exige coordenação entre escolas, gestores públicos e a iniciativa privada. No entanto, a barreira final de proteção reside na supervisão adulta.
O avanço das áreas de lazer torna o tema urgente, pois a maioria dos acidentes ocorre em locais que os pais consideram protegidos. A prevenção depende de informação clara e da eliminação de distrações (como o uso de celulares) por parte dos responsáveis durante o banho de piscina.
Para a indústria, proteger vidas tornou-se parte do negócio. Iniciativas que preparam as famílias para reconhecer riscos são essenciais para que a diversão não termine em fatalidade.
Encarar a segurança como prioridade absoluta é o único caminho para reverter a curva de crescimento do afogamento infantil no Brasil.
[1] https://abcdoabc.com.br/dia-nacional-de-prevencao-ao-afogamento-infantil-conheca-dicas-para-evitar-acidentes/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil