Afinal, andar de avião é seguro ou não?

03/04/2026 - 15:30  
Afinal, andar de avião é seguro ou não?
Afinal, andar de avião é seguro ou não? Com dois feriados nacionais em abril, a Sexta-feira Santa e o Dia de Tiradentes, o movimento nos aeroportos brasileiros tende a crescer e recoloca em circulação uma dúvida que nunca desaparece por completo. Afinal, voar de avião é realmente seguro? [1] A pergunta costuma voltar justamente quando os terminais ficam lotados, os voos se multiplicam e o passageiro percebe que há mais gente embarcando quase ao mesmo tempo. Só que, apesar da apreensão que ainda ronda parte do público, os números continuam apontando na mesma direção. A aviação comercial segue entre os meios de transporte mais seguros do mundo, mesmo operando em escala massiva e sob alto nível de exigência técnica. Dados da International Air Transport Association (IATA) e levantamentos baseados em informações do National Safety Council indicam que o risco de fatalidade em voos comerciais permanece muito abaixo do registrado no trânsito terrestre. No Brasil, essa diferença é ainda mais evidente. Enquanto o país contabiliza dezenas de milhares de mortes por ano em acidentes rodoviários, ocorrências fatais na aviação comercial são incomparavelmente mais raras e, quando acontecem, são tratadas com alto rigor técnico por órgãos especializados. A segurança do avião começa antes da decolagem (Imagem/Freepik) A percepção de que o avião é seguro não se explica apenas pela estatística. Ela também depende de uma estrutura técnica silenciosa, altamente controlada e praticamente invisível para quem embarca. Antes de cada voo, existe uma engrenagem de verificação, manutenção e monitoramento que precisa funcionar com precisão absoluta para que tudo aconteça sem ruído. Isso envolve sistemas de vedação, controle de pressão da cabine, acionamento do trem de pouso, funcionamento de travas, resposta de componentes hidráulicos e uma série de mecanismos que não admitem margem para improviso. Em muitos casos, o passageiro só percebe a segurança justamente porque nada chama atenção. O voo acontece, a cabine se mantém estável, as portas permanecem seladas e a aeronave responde como deveria. Segundo o técnico eletricista industrial Leandro Chagas, especialista em sistemas de compressão, é justamente essa camada invisível que sustenta a operação. “Existe uma estrutura técnica que sustenta toda a operação e que não aparece para o passageiro. Sistemas de compressão e controle de pressão precisam funcionar com precisão absoluta. Pequenos desvios podem gerar consequências grandes”, afirma. A pressão aumenta quando o aeroporto lota (Imagem/Freepik) Em períodos como os feriados prolongados, essa exigência cresce. Mais aeronaves em circulação significam mais pousos, mais decolagens, mais conexões e mais pressão sobre toda a cadeia operacional. Isso vai da pista até a manutenção, passando por logística, inspeção e controle de tráfego. Em 2025, a aviação brasileira registrou 101,2 milhões de passageiros transportados em voos domésticos, o maior volume da história, segundo dados do setor. A oferta de assentos também cresceu, assim como a taxa de ocupação das aeronaves, mostrando que o sistema vem sendo exigido em patamar cada vez mais alto. É justamente nesses momentos de pico que a segurança precisa se provar de forma ainda mais consistente. E isso não significa esperar a falha acontecer. Significa impedir que ela amadureça. Na aviação, problemas raramente surgem do nada. Em geral, começam com sinais pequenos, desgaste acumulado, ajuste fora do padrão ou manutenção insuficiente, que podem se transformar em risco se não forem detectados a tempo. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA [2]), fatores técnicos e operacionais estão entre os principais pontos observados em ocorrências aeronáuticas. O foco não está apenas na falha final, mas no caminho que levou até ela. “Quando se fala em aviação, não existe margem para improviso. A manutenção precisa ser contínua e criteriosa”, reforça Chagas. No fim, o que mantém o avião entre os meios mais seguros do planeta não é sorte, nem discurso, nem sensação. É repetição técnica, controle extremo e uma operação que precisa acertar todas as vezes, inclusive quando quase ninguém percebe que ela está sendo testada no limite. [1] https://abcdoabc.com.br/aviao-da-azul-emergencia-retorna-congonhas/ [2] https://www2.fab.mil.br/cenipa/