
O encerramento de 2025 traz um alerta vermelho para o sistema de saúde paulista. O Governo de São Paulo [1], sob a gestão Tarcísio de Freitas, emitiu um apelo oficial à população para reforçar a doação de sangue [2] antes das celebrações de Réveillon. Historicamente, o período entre novembro e janeiro é marcado por um desequilíbrio perigoso: enquanto o número de doadores despenca devido às férias escolares e viagens, a demanda por transfusões em hospitais tende a subir drasticamente devido ao aumento de incidentes em rodovias.
De acordo com dados oficiais, o estoque do tipo O negativo — o doador universal, utilizado em emergências quando não há tempo para tipagem — está em nível crítico. No entanto, as autoridades reforçam que todos os tipos sanguíneos são necessários para manter a rede, composta por seis hemocentros e 48 pontos de coleta, operando com segurança.
O desafio da campanha de doação de sangue
Para capilarizar o atendimento, Secretarias Municipais de Saúde de cidades que não possuem hemocentros próprios, como Serrana, Leme e Jaboticabal, estabeleceram parcerias estratégicas para levar a doação de sangue até os moradores. No interior paulista, a estratégia de coletas externas programadas tem sido o principal motor para tentar frear a estagnação do quadro de doadores, um fenômeno observado desde o término da pandemia de Covid-19.
Em Ribeirão Preto, a situação é alarmante. No último dia 21 de dezembro, o hemocentro local registrou apenas cinco bolsas de sangue tipo A negativo, o que representa meros 16,6% do mínimo necessário para garantir a segurança regional. O tipo O positivo também opera no limite, com apenas 34,3% do volume ideal em estoque. Para mitigar esse cenário, instituições têm promovido o modelo corporativo de coleta em empresas e parcerias com escolas técnicas e faculdades.
Mobilização regional: De Campinas a Itapetininga
Na região de Campinas, o Hemocentro da Unicamp tem sido protagonista em mobilizações periódicas. Em Santa Bárbara d’Oeste, as coletas ocorrem a cada 62 dias, permitindo que doadores frequentes mantenham a regularidade — homens podem realizar a doação de sangue até cinco vezes por ano.
Em outras frentes, a solidariedade ganha contornos comunitários:
Itapetininga: O posto municipal "Dr. João Batista de Camargo" atua no cadastramento e agendamento individual, encaminhando o material para o hospital de Botucatu. Recentemente, o Moto Clube Insanos mobilizou 40 voluntários em uma única ação coletiva.
Leme: A prefeitura local viabilizou coletas na Faculdade Anhanguera, estruturando o atendimento para até 100 doadores simultâneos.
Indaiatuba e Piracicaba: Ambas as cidades intensificaram as convocações via Fiec e Hemonúcleo local, alertando que a baixa procura em novembro pode comprometer o atendimento hospitalar de janeiro.
Guia Prático: O que você precisa saber para doar
O médico hematologista Renato Tavares esclarece que a queda nas coletas é influenciada diretamente pelo período de recesso. Para ser um voluntário e realizar a doação de sangue, o cidadão deve seguir critérios básicos de saúde e cidadania. O procedimento é rápido, seguro e pode salvar até quatro vidas com uma única bolsa de 450 ml.
Requisitos básicos:
Idade: Entre 16 e 69 anos (menores de 18 precisam de autorização).
Peso: Acima de 50 kg.
Saúde: Estar descansado (mínimo 6 horas de sono) e bem hidratado.
Alimentação: Evitar alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a coleta.
Para quem reside no estado e deseja localizar o ponto mais próximo, a Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza a consulta via aplicativo do Poupatempo (disponível para Android e iOS) ou pelo site da Fundação Pró-Sangue. O agendamento prévio é recomendado para evitar filas e garantir que a sua doação de sangue seja processada com agilidade.
[1] https://www.sp.gov.br/sp
[2] https://abcdoabc.com.br/importancia-da-doacao-de-sangue/