
O Ministério da Saúde [1] oficializou, nesta quinta-feira (8), o lançamento da maior jornada de imersão acadêmica no sistema público de saúde já registrada: o Programa Nacional de Vivências no SUS [2] (VER-SUS). A cerimônia, realizada na Fiocruz, marcou o início de uma mobilização que envolverá cerca de 9 mil participantes, entre estudantes de graduação, residentes e alunos de cursos técnicos. A iniciativa, que conta com a parceria da OPAS e da Rede Unida, consolida-se como a principal estratégia de educação pelo trabalho da atual gestão.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Vivências no SUS é uma ferramenta de transformação que vai além dos currículos tradicionais. “O programa oportuniza conhecer uma realidade que não vem nos livros. Os estudantes participam da dinâmica da comunidade e da gestão, tornando-se profissionais mais experientes e sensíveis às realidades locais”, afirmou o ministro durante o evento.
Fortalecimento do ensino e pesquisa através do Vivências no SUS
A edição de 2026 do Vivências no SUS contempla 300 projetos distribuídos por todas as regiões do Brasil. O foco central é a qualificação profissional por meio da prática direta, incentivando a produção de conhecimento científico aplicado. Ao vivenciarem o cotidiano das unidades de saúde, os alunos são estimulados a propor novos protocolos de estudo, projetos de pesquisa e intervenções que resolvam gargalos reais do atendimento público.
De acordo com o coordenador-geral da Rede Unida, Alcindo Ferla, o programa ativa a ideia da educação permanente. “Essa onda de vivências nos ensina a produção de saúde nos territórios e ocupa as universidades, dando visibilidade a segmentos que muitas vezes foram naturalizados como invisíveis”, destacou. O apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforça o reconhecimento internacional da iniciativa como um modelo de integração ensino-serviço.
Imersão crítica e soluções práticas nos territórios
Os projetos selecionados para o Vivências no SUS possuem uma forte diretriz pedagógica: gerar reflexões críticas sobre o funcionamento da rede pública. Segundo o secretário-adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, o projeto orienta uma mudança necessária no ensino das profissões da saúde no Brasil desde os anos 2000.
A proposta pedagógica do Vivências no SUS inclui:
Multiplicação de saberes: 333 facilitadores formados em 2025 atuam agora como líderes locais;
Trabalho em equipe: Fomento à cooperação interprofissional nas unidades de saúde;
Equidade e Cuidado Integral: Foco no atendimento humanizado e na participação social;
Soluções Reais: Transformação do aprendizado teórico em protocolos aplicáveis aos desafios do cotidiano.
Mais de duas décadas de impacto na saúde pública brasileira
Com um histórico de mais de 20 anos, o programa já mobilizou aproximadamente 70 mil estudantes em todo o país. A consolidação do Vivências no SUS como política oficial de educação na saúde, ocorrida em 2023, permitiu que o alcance chegasse aos números recordes apresentados nesta quinta-feira.
A expectativa é que a imersão destes 9 mil novos profissionais resulte em um sistema de saúde mais conectado com as necessidades regionais. Ao integrar instituições de ensino aos sistemas locais e regionais, o Ministério da Saúde garante que a formação acadêmica não ocorra em um vácuo, mas sim em diálogo constante com a complexidade e a diversidade do povo brasileiro.
[1] https://www.gov.br/saude/pt-br
[2] https://abcdoabc.com.br/19-conferencia-de-saude-rumo-do-sus-santo-andre/