
Durante o verão [1], as altas temperaturas podem intensificar um dos sintomas mais conhecidos da menopausa: os fogachos. Caracterizados por ondas súbitas de calor, suor intenso e sensação de mal-estar, esses episódios tornam-se mais frequentes e incômodos nos meses quentes. Especialistas explicam que o fenômeno não é subjetivo, mas resultado direto de alterações hormonais associadas à fase.
A ginecologista Beatriz Tupinambá, especialista em menopausa, afirma que a termorregulação do organismo feminino já se encontra mais sensível devido à queda dos níveis de estrogênio, hormônio responsável pelo controle da temperatura corporal. “Quando a temperatura ambiente se eleva, o cérebro interpreta isso como excesso de calor e responde com vasodilatação intensa e produção exagerada de suor”, explica.
Alterações hormonais aumentam sensibilidade ao calor
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A endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM [2]), detalha o mecanismo por trás do problema. Segundo ela, a redução hormonal provoca uma hiperestimulação do centro termorregulador localizado no hipotálamo, tornando mulheres na menopausa mais sensíveis às variações térmicas.
“É como se o organismo passasse a perceber calor com muito mais facilidade. No verão, quando o ambiente já está naturalmente mais quente, essa sensibilidade se intensifica”, afirma a especialista.
Impactos vão além da sensação de calor
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Os fogachos não ocorrem de forma isolada. O aumento da temperatura corporal interfere diretamente no sono, no humor e na disposição diária. Beatriz Tupinambá explica que as oscilações térmicas noturnas comprometem a qualidade do descanso, resultando em despertares frequentes e sono pouco reparador.
Esse quadro pode provocar cansaço persistente, irritabilidade, redução da memória e queda nos níveis de energia ao longo do dia, afetando significativamente a qualidade de vida durante a menopausa.
Fatores que agravam os sintomas
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Mulheres com obesidade tendem a apresentar sintomas mais intensos. De acordo com as médicas, o tecido adiposo funciona como um isolante térmico e está associado a processos inflamatórios que prejudicam a ação hormonal. Sedentarismo, baixa ingestão de água, alimentação rica em ultraprocessados, consumo de álcool e tabagismo também contribuem para a piora do quadro.
Além disso, o calor extremo eleva os riscos de desidratação, tonturas e quedas de pressão arterial, especialmente em mulheres com doenças crônicas. Por isso, a orientação médica é fundamental quando os fogachos se tornam frequentes ou passam a interferir nas atividades diárias.
“Fogacho não é apenas calor. Ele envolve alterações metabólicas importantes e precisa de acompanhamento adequado. Nenhuma mulher deve sofrer durante a menopausa”, ressalta Tupinambá.
Como aliviar os fogachos no verão
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Especialistas recomendam algumas medidas para minimizar o desconforto dos fogachos durante os meses mais quentes:
Hidratação adequada: ingerir entre 2 e 3 litros de água por dia ajuda a repor líquidos perdidos pelo suor.
Roupas confortáveis: tecidos leves e respiráveis facilitam a troca de calor.
Ambientes frescos: manter quartos ventilados contribui para um sono de melhor qualidade.
Atenção à alimentação: evitar álcool, café, chocolate, alimentos picantes e ultraprocessados.
Dieta anti-inflamatória: priorizar alimentos naturais ricos em antioxidantes e magnésio.
Exercícios físicos regulares: atividades moderadas auxiliam no controle dos sintomas.
Priorizar o sono: horários regulares e ambiente fresco ajudam a reduzir distúrbios noturnos.
Gerenciamento do estresse: práticas como ioga e meditação favorecem o equilíbrio emocional.
Acompanhamento médico: qualquer ajuste em terapias hormonais deve ser feito com orientação profissional.
[1] https://abcdoabc.com.br/verao-comeca-calor-acima-menos-chuvas/
[2] https://www.endocrino.org.br/