
No combate à dengue, o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que começará a aplicação da vacina de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan [1], em três municípios brasileiros. As cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, iniciarão a vacinação no dia 17 de janeiro, enquanto Botucatu, em São Paulo, dará início ao processo um dia depois.
SUS inicia vacinação contra dengue com nova vacina do Butantan
O objetivo dessa ação é imunizar pelo menos 50% da população local, com foco na faixa etária entre 15 e 59 anos. Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde [2] destacou que essa iniciativa utilizará uma fração das 1,3 milhão de doses que já foram produzidas pelo Instituto Butantan.
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A primeira remessa também será destinada aos profissionais da saúde que atuam nas unidades básicas de saúde (UBS), priorizando aqueles que estão na linha de frente no atendimento à população.
Com a expectativa de ampliação do programa vacinal, o ministério revelou que um aumento na produção de doses está sendo planejado através de uma colaboração de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A estratégia prevê uma expansão gradual para todo o Brasil, começando pela população com 59 anos e avançando até atingir os jovens de 15 anos, conforme a disponibilidade dos imunizantes.
Atualmente, o SUS já oferece um imunizante contra a dengue em duas doses para adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos, fabricada no Japão.
Em relação à eficácia do novo imunizante, o Instituto Butantan divulgou resultados promissores que indicam uma redução na carga viral em indivíduos infectados pelo vírus da dengue. Esses dados foram apresentados em um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health - Americas, onde pesquisadores analisaram amostras coletadas de 365 voluntários diagnosticados com dengue sintomática entre os anos de 2016 e 2021 em 14 estados do país.
A pesquisa comparou os dados dos grupos vacinados e não vacinados. Os resultados mostraram que, embora alguns participantes tenham contraído a doença após a vacinação, aqueles que foram imunizados apresentaram cargas virais significativamente mais baixas em comparação aos não vacinados. Isso sugere uma resposta imune eficaz gerada pela vacina, contribuindo para a diminuição da replicação viral nas células.
O imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan recebeu a aprovação da Anvisa [3] após uma análise rigorosa dos dados provenientes de cinco anos de acompanhamento de 16 mil voluntários envolvidos nos ensaios clínicos. Para a faixa etária recomendada entre 12 e 59 anos, o imunizante demonstrou uma eficácia geral de 74,7%, alcançando impressionantes 91,6% contra casos graves e com sinais de alarme da doença.
[1] https://butantan.gov.br/
[2] https://www.gov.br/saude/pt-br
[3] https://abcdoabc.com.br/anvisa-recolhimento-de-panetones-contaminados/