
Hoje acordei cheia de ideias, repleta de energia e vontade de realizar, socializar, sorrir, conversar, escrever. Tudo isso está no extremo oposto de como eu estava ontem. Puro suco de Paola. Acordei moída, casada, sem energia, sem vontade, não queria nem dar um bom dia. E o pior, com a impressão de que nunca mais eu ia sair daquela área nebulosa. Mas eis que hoje acordei disposta, quem diria. Realmente inesperado.
Isso me levou a pensar nas oscilações dos nossos estados de espírito a cada dia. Na nossa jornada como humanos imperfeitos, temos dificuldade de manter um comportamento linear. Principalmente, nós mulheres, que vivemos ao sabor da montanha-russa hormonal. Mas não quero fazer essa diferença de gênero agora. Acho que ninguém que vive nesse mundo louco consegue manter a alma em equilíbrio constante. Minto, talvez os anciões dos templos budistas na China consigam.
As oscilações do humor fazem parte da experiência humana
Homens e mulheres estamos sujeitos a acordar diferentes a cada dia. Um dia estamos preocupados e ficamos mais taciturnos, no outro resolvemos o problema e estamos em paz, em outro temos saudade e lá vamos nós para o buraco de novo, mas no dia seguinte recebemos o convite para uma festa bacana, e volta a vontade de viver. Às vezes, uma coiss chata que acontece de manhã como um elevador quebrado [1], uma chuva na hora de sair de casa, um WhatsApp do chefe, já estragam a disposição de um dia todo.
(Divulgação)
E não podemos esquecer das oscilações do corpo que interferem, e muito, no estado de espírito do ser humano comum. Se você dormiu mal, acorda mal, sem disposição. Se você dormiu bem, acorda bem, cheio de energia e ânimo. E tem as pequenas dores comuns, a dor de cabeça, num dia, a dor nas costas, no outro, a dor no ombro, às vezes, o calcanhar sofrido no sapato apertado. E o cansaço no corpo inteiro, então.
Difícil ter um dia bom, carregando o peso do cansaço.
E a cada pequena coisa diferente que a gente sente... pronto, muda a forma como nos comportamos naquele dia.
Minha psicóloga vive dizendo que é normal. Ninguém está super bem todo dia. Respeite-se e entenda, então não se cobre e não cobre os outros também. Mas eu estranho, talvez por conta do tamanho da diferença de um dia para o outro. Eu queria, digo para a psicóloga, estar sempre bem. É impossível, pelo jeito. A única opção que eu tenho é procurar oscilar de bem. De bem com a vida, mesmo quando amanhece chovendo.
Paola Zanei
(Divulgação)
Paola Zanei [2] é escritora, poeta e jornalista, formada em Comunicação desde 1994. Com mais de 30 anos de atuação no jornalismo, construiu grande parte de sua trajetória como assessora de imprensa. A escrita, no entanto, sempre esteve presente em sua vida. Desde os 15 anos, dedica-se à produção de poemas e crônicas que exploram o cotidiano, experiências pessoais e as emoções que atravessam sua jornada. É autora do livro Poemas para Queimar Certezas. Apaixonada por música, literatura e cinema, Paola traduz em palavras sua forma sensível de observar e interpretar o mundo.
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[1] https://abcdoabc.com.br/a-senhora-elevador-chacoalhao-filosofico/
[2] https://www.instagram.com/paolazanei/
[3] https://abcdoabc.com.br/noticia/caderno/cronica/