
O prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), divulgou um pronunciamento público nos últimos dias em que contesta a condenação imposta pela Justiça Eleitoral [1] de São Paulo por injúria e difamação eleitoral. Em tom firme, o chefe do Executivo municipal afirmou que a decisão é de primeira instância, que ainda será objeto de recurso, e declarou que suas falas durante a campanha de 2024 tiveram como objetivo cobrar transparência no uso de recursos públicos, e não atacar pessoas.
A manifestação ocorre após a Justiça Eleitoral condenar o prefeito a 6 meses e 25 dias de detenção em regime aberto, além do pagamento de multa, em processo movido por Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sentença teve como base declarações feitas por Taka em um debate eleitoral realizado em agosto de 2024.
Prefeito afirma que seguirá recorrendo da decisão
No pronunciamento, Taka Yamauchi [2] ressaltou que confia no devido processo legal e no direito à ampla defesa. Segundo ele, a decisão judicial ainda “está em trânsito” e será questionada nas instâncias superiores.
“A decisão da Justiça Eleitoral é de primeira instância, ainda está em trânsito, e será objeto de todos os recursos cabíveis. Confio plenamente no devido processo legal e no direito à ampla defesa”, afirmou.
Taka também agradeceu as mensagens de apoio recebidas após a divulgação da sentença e disse que elas reforçam seu compromisso com a cidade.
“Quero agradecer de coração a cada pessoa que se manifestou — isso fortalece e me lembra porque escolhi servir Diadema”, declarou.
Discurso, segundo Taka, tratou de crime organizado e recursos públicos
De acordo com o prefeito, a fala que originou a condenação ocorreu durante um debate público promovido pelo G1, no contexto da campanha eleitoral de 2024. Ele sustenta que abordou temas que, segundo ele, fazem parte do debate nacional, como o avanço do crime organizado e a destinação de verbas federais.
No pronunciamento, Taka afirmou que mencionou reportagens publicadas pela imprensa poucos dias antes do debate, que tratavam do repasse de mais de R$ 1 bilhão a cidades aliadas do governo federal.
“O contexto era claro: cobrei transparência sobre recursos que chegaram de forma apontada como irregular, conforme noticiado — inclusive pelo UOL — e questionei onde tais recursos foram aplicados”, disse.
Para o prefeito, questionar a aplicação de dinheiro público é uma obrigação de qualquer agente político e não deveria ser interpretado como ofensa pessoal.
Defesa da transparência e continuidade da gestão
Ao longo do pronunciamento, Taka Yamauchi reforçou que não pretende se afastar do cargo nem alterar sua atuação política por conta da condenação. Ele afirmou que segue trabalhando normalmente e que acredita que sua versão dos fatos será reconhecida.
“Não falei mentira, não inventei fato, nem ataquei pessoa alguma — questionei o uso de recursos públicos, o que considero um dever”, afirmou.
O prefeito também destacou que continuará exercendo o mandato com responsabilidade e transparência, enquanto aguarda o julgamento dos recursos.
“Não me escondo, não me calo e não me afasto — sigo de pé, porque sei que a verdade prevalece para quem age com honestidade e propósito”, concluiu.
Condenação serve como pano de fundo do pronunciamento
A condenação criminal de Taka Yamauchi foi proferida em dezembro de 2025 pela Justiça Eleitoral de São Paulo e está relacionada a declarações em que o então candidato utilizou o apelido “Marcola” ao se referir a Marco Aurélio Santana Ribeiro. Para a magistrada responsável pelo caso, a fala teve potencial ofensivo e extrapolou os limites da crítica política.
O prefeito já havia sido condenado anteriormente na esfera cível, com determinação de pagamento de indenização por danos morais. Ambas as decisões ainda podem ser questionadas judicialmente.
Pronunciamento completo do prefeito Taka Yamauchi
"Nos últimos dias, recebi inúmeras mensagens de apoio, carinho e preocupação. Quero agradecer de coração a cada pessoa que se manifestou — isso fortalece e me lembra porque escolhi servir Diadema.
Preciso dizer, com toda a serenidade possível, mas também com a indignação de quem sabe o que viveu: a decisão da Justiça Eleitoral é de primeira instância, ainda está em trânsito, e será objeto de todos os recursos cabíveis. Confio plenamente no devido processo legal e no direito à ampla defesa, fundamentos essenciais do nosso país.
A manifestação que originou essa decisão aconteceu durante o processo eleitoral de 2024, em um debate público promovido pelo G1, onde tratei de temas que o Brasil inteiro discute há anos.Reafirmei uma realidade que está nos noticiários, nos dados e nas ruas: “o Brasil vem sofrendo há muito tempo com o crime organizado.”
Relatei também uma matéria que havia saído dias antes na mídia sobre o repasse de mais de um bilhão de reais a cidades aliadas do governo federal.
O contexto era claro: cobrei transparência sobre recursos que chegaram de forma apontada como irregular, conforme noticiado — inclusive pelo UOL — e questionei onde tais recursos foram aplicados. Essa pergunta, que considero legítima e necessária em qualquer democracia madura, acabou transformada em objeto de condenação.
É duro ver uma fala sobre a defesa da transparência se tornar razão de ataque.Mas sigo tranquilo, porque não falei mentira, não inventei fato, nem ataquei pessoa alguma — questionei o uso de recursos públicos, o que considero um dever de qualquer agente político comprometido com o interesse coletivo.
Com respeito às instituições e confiança na Justiça, continuo trabalhando normalmente, junto da minha equipe, com responsabilidade, transparência e compromisso com o povo de Diadema.Não me escondo, não me calo e não me afasto — sigo de pé, porque sei que a verdade prevalece para quem age com honestidade e propósito.
Seguimos firmes.Taka Yamauchi"
[1] https://abcdoabc.com.br/taka-condenado-associar-assessor-lula-ao-marcola/
[2] https://portal.diadema.sp.gov.br/taka-yamauchi/