Saúde em Parelheiros: Medicina e Saber Guarani

19/04/2026 - 16:30  
Saúde em Parelheiros: Medicina e Saber Guarani
Saúde em Parelheiros: Medicina e Saber Guarani Localizada em uma área de 16 mil hectares na região de Parelheiros, a Terra Indígena Tenondé Porã [1] abriga as duas únicas Unidades Básicas de Saúde Indígena [2](UBSI) da capital: a Vera Poty e a Krukutu. Juntas, elas atendem cerca de 1.500 pessoas distribuídas em 17 aldeias, operando sob um modelo que integra a medicina ocidental aos conhecimentos tradicionais e à espiritualidade nativa. Equipes multiculturais e atendimento no território A eficácia do atendimento nas UBSIs reside na composição das equipes. Com forte presença de profissionais indígenas, incluindo agentes de saúde, saneamento e promoção ambiental, as unidades superam a barreira da língua (muitos usuários falam prioritariamente o guarani) e estabelecem laços de confiança essenciais para o tratamento. UBSI Vera Poty: Referência há 26 anos, atende aldeias em áreas extensas, realizando visitas domiciliares para levar exames e consultas a comunidades isoladas. UBSI Krukutu: Recentemente ampliada, conta com estrutura completa de Estratégia Saúde da Família, consultório odontológico e farmácia, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos. "Meu maior aprendizado é saber que a gente pode oferecer saúde fazendo parceria com a cultura medicinal deles e com a nossa", afirma Adriana Izo, gerente da UBSI Krukutu. Longevidade e desafios sazonais Acervo/SMS O território é marcado por uma população majoritariamente jovem, mas também por símbolos de resistência, como a centenária Dona Angelina, de 106 anos. Na prática clínica, os profissionais observam uma baixa incidência de doenças crônicas comuns no meio urbano, como diabetes e hipertensão. Os maiores desafios são os agravos respiratórios, intensificados pelo frio rigoroso da Serra do Mar e pelo uso tradicional de lareiras e cachimbos. Conquista coletiva Para as lideranças locais, como Luciano de Lima Gabriel, a presença das unidades dentro da Terra Indígena é uma vitória estratégica. Ele ressalta que, embora muitas enfermidades sejam tratadas com as medicinas da floresta, a assistência pública é vital para lidar com "doenças do mundo externo". A experiência de Parelheiros demonstra que a saúde pública ganha eficiência quando despe-se de rigidez e adota a escuta qualificada. Ali, o tratamento de uma criança ou o acompanhamento de um idoso respeita o tempo, o território e, acima de tudo, a cosmologia de um povo que mantém sua cultura viva em meio à maior metrópole do país. [1] https://abcdoabc.com.br/seminario-agosto-indigena-da-voz-aos-povos-originarios/ [2] https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/atencao_basica/29931