Redução da jornada de trabalho exige alta produtividade alerta FecomercioSP

05/03/2026 - 18:50  
Redução da jornada de trabalho exige alta produtividade alerta FecomercioSP
Redução da jornada de trabalho exige alta produtividade alerta FecomercioSP Redução da jornada de trabalho exige avanço em produtividade segundo FecomercioSP [1] alterações bruscas na carga horária ameaçam pequenos negócios e podem encolher o PIB brasileiro em até 6,2% sem o respaldo de acordos coletivos. A redução da jornada de trabalho no Brasil necessita estar vinculada ao aumento direto da capacidade produtiva nacional. Essa diretriz pautou a argumentação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) durante encontro estratégico em Brasília. A entidade discutiu o tema com a Frente Parlamentar da Agropecuária e lideranças do Congresso Nacional. O encontro marcou a assinatura do Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil, apoiado por uma centena de representantes do setor produtivo. O peso da produtividade na redução da jornada de trabalho Marcello Casal Jr - Agência Brasil Qualquer avanço na legislação sobre a carga horária exige ganhos operacionais consistentes prévios. O sociólogo José Pastore, líder do Conselho de Relações do Trabalho (CERT) da FecomercioSP, destacou o abismo de eficiência entre o mercado nacional e o exterior. Números da Organização Internacional do Trabalho (OIT) expõem essa lacuna competitiva. A Noruega gera US$ 93 por cada hora de serviço. O Brasil entrega apenas US$ 17. A Conference Board reforça o dado: o trabalhador norte-americano produz US$ 94,8 por hora, enquanto o brasileiro estagnou em US$ 21,4, mantendo o país na 78ª posição global. "O aumento de produtividade só é possível se, antes, houver uma melhora na administração das empresas, na infraestrutura, na tecnologia etc. Isso não acontece da noite para o dia." Antecipar a redução da jornada de trabalho sem preparar a infraestrutura corporativa cria instabilidade. Experiências internacionais validam essa cautela. Os Estados Unidos diminuíram 11 horas anuais ao longo de 15 anos. O Brasil planeja cortar cerca de 480 horas de uma única vez. Choque financeiro e ameaça aos pequenos negócios Divulgação/Freepik A mudança abrupta nas escalas impõe desafios severos para o comércio, agronegócio e transportes. O custo da folha de pagamento sofreria um salto de 22%. Esse encarecimento atinge frontalmente as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Essas companhias representam a principal base pagadora de tributos no país. Elas geram cerca de 1 milhão de empregos por ano, segundo o Sebrae. A aprovação forçada da redução da jornada de trabalho traria consequências imediatas graves para esses caixas reduzidos. O mercado sofreria impactos estruturais drásticos já no primeiro ano: Eliminação de 1,2 milhão de vagas de emprego formal. Queda projetada de até 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB). Exigência de contratação massiva de "folguistas" para cobrir turnos. Risco de precarização por contratos diferenciados e insegurança jurídica. Executivos como José Roberto Pena e Gisela Lopes, vice-presidentes da FecomercioSP, reforçaram o alarme. O líder do Sindilojas de Campinas, Carlos Augusto Gobbo, endossou que a falta de folga no orçamento inviabiliza as operações fora das grandes capitais. Negociação coletiva guia a transição do mercado O manifesto assinado em Brasília rejeita a ideia de que o fim da escala 6x1 [2] obriga o mercado a escolher entre qualidade de vida e crescimento econômico. O documento trata a transição como viável, desde que baseada no diálogo. O avanço seguro exige acordos firmados entre sindicatos e empregadores. A padronização forçada ignora as diferenças operacionais de cada região. Pilares da modernização trabalhista Preservação do emprego: Quase 40% da população ativa atua na informalidade. Mudanças devem focar em não encarecer o registro formal. Sustentabilidade: A qualificação técnica e a adoção tecnológica formam a base para manter o desenvolvimento sustentável. Diferenciação setorial: O mercado heterogêneo exige ajustes específicos via negociações coletivas para adequar turnos à realidade local. Governança: Modificar limites constitucionais demanda debates técnicos profundos sobre alternativas de implementação. A maturidade institucional define o futuro da economia nacional. Para alinhar bem-estar social e robustez empresarial, o país precisa blindar o emprego formal. Sem responsabilidade fiscal, qualquer tentativa de redução da jornada de trabalho resultará em retração econômica e perda sistêmica de postos laborais. [1] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiti7iV2ImTAxWorpUCHQJCEz4QFnoECEEQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.fecomercio.com.br%2F&usg=AOvVaw0DfgQK88wpLtMgr2SIxvFJ&opi=89978449 [2] https://abcdoabc.com.br/fim-da-escala-6x1-sudeste-apoia-pec/