Campinas confirma morte de dois pacientes com KPC que estavam em UTI isolada do Mário Gatti

06/04/2026 - 17:50  
Campinas confirma morte de dois pacientes com KPC que estavam em UTI isolada do Mário Gatti

Fachada do Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV Campinas (SP) confirmou a morte de dois pacientes internados na área isolada da UTI do Hospital Mário Gatti por contaminação com a bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida pela sigla KPC. Segundo a administração, os pacientes estavam com a bactéria, mas a causa da morte não foi a KPC. Nome, idade e sexo das vítimas não foram informados. Nesta segunda-feira (6), oito pacientes com KPC permanecem internados na UTI do Hospital Mário Gatti - um que estava isolado em enfermaria foi transferido à unidade de terapia intensiva. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O fechamento temporário da UTI foi anunciado em 10 de março de 2026 após a identificação de sete pacientes com KPC. Segundo a Rede Mário Gatti, o prazo estimado é de 30 dias, e reformas estão sendo feitos na unidade para reforçar o controle epidemiológico. De acordo com a Rede Mário Gatti, a equipe já chegou na segunda fase de uma reforma da UTI, sendo que uma primeira parte, com sete leitos, já foi concluída, restando outros 13 leitos. "Após o término da segunda etapa da reforma, os pacientes que estão na UTI contingencial voltarão para a UTI reformada e os que estiverem com KPC ficarão em leitos isolados. Nesta fase, a unidade voltará a receber novos pacientes", explicou, em nota. Família de paciente internada no Hospital Mário Gatti cita risco de contágio por KPC O que é? A KPC faz parte de um grupo de bactérias que são resistentes a antibióticos, por isso, é chamada de superbactéria; O agente infeccioso produz uma enzima que destrói vários antibióticos, medicamentos mais usados em casos de infecções bacterianas; A superbactéria foi identificada no Brasil no início dos anos 2000; desde então, surtos são registrados de tempos em tempos em unidades de saúde. Como surge? Segundo o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento desse tipo de bactéria é uma consequência da utilização de antibióticos potentes no ambiente hospitalar ao longo dos anos. "Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado", explica. Cultura da KPC em uma placa de Petri; foto de 2013 Reprodução/EPTV Quais são os sintomas? Ainda de acordo com Trabasso, as infecções mais comuns em diagnósticos de KPC são: infecções de corrente sanguínea (sepse) pneumonia infecções do trato respiratório infecções urinárias, embora menos frequentes infecções de feridas operatórias Como prevenir? A KPC atinge de forma mais frequente pacientes internados que estão com a imunidade debilitada, como em em UTIs, por exemplo. A transmissão ocorre por meio do contato com os fluidos da pessoa infectada ou por aparelhos de ventilação mecânica, cateteres e sondas; Se há alguma falha no processo de higiene e desinfecção do ambiente hospitalar, ela pode aparecer e se alastrar de pessoa para pessoa. É a chamada transmissão cruzada; A infecção fora do ambiente hospitalar também pode ocorrer, mas a incidência é baixa. O médico infectologista ressalta a necessidade de ter atenção e cuidado, em especial: para a população em geral: realizar sempre higiene das mãos, seja com água e sabão comum ou com álcool gel, após ter contato com as pessoas. para os profissionais de saúde: obedecer as regras específicas de higiene e segurança. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas