
O governador Tarcísio de Freitas enfrenta um momento delicado em sua base aliada, com o Progressistas (PP) reconsiderando o apoio à sua reeleição. A sigla avalia seriamente lançar uma candidatura própria ao governo de São Paulo em 2026, motivada por um cenário de insatisfação crescente e realinhamento de estratégias nacionais.
A tensão nos bastidores não é apenas especulação. Fontes ligadas à gestão estadual confirmam que o clima entre o partido e o Executivo azedou. Para tentar conter a crise, Tarcísio de Freitas iniciou uma agenda de encontros diretos com prefeitos no Palácio dos Bandeirantes, mas muitos gestores interpretam o movimento apenas como uma medida paliativa para mitigar o desgaste imediato.
Crise de articulação nos municípios
O Progressistas possui uma capilaridade relevante no estado, comandando atualmente 54 prefeituras. No entanto, a relação institucional apresenta falhas que geram reclamações constantes.
As principais queixas das lideranças municipais incluem:
Dificuldade de comunicação: Prefeitos relatam falta de acesso direto a secretários e ao próprio governador.
Ausência de parlamentares: Há uma percepção de que deputados da base governista não dão a atenção devida às demandas locais do partido.
Desconexão política: A cúpula partidária sente um distanciamento entre as decisões do governo e os interesses da legenda.
Nesse contexto, a figura de Tarcísio de Freitas acaba sendo cobrada pela falta de um canal mais efetivo, o que fortalece a ala do PP que defende uma ruptura estratégica.
O futuro de Tarcísio de Freitas e o fator nacional
A movimentação do PP não se restringe apenas às questões paroquiais de São Paulo. O cenário nacional, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro [1] à presidência, força o partido a recalcular sua rota. A legenda entende que precisa de um governador totalmente alinhado ao seu projeto presidencial para sustentar a montagem de chapas fortes para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Atualmente, o apoio público demonstrado por Tarcísio de Freitas às pautas prioritárias do Progressistas é considerado insuficiente pela direção.
"Internamente, há a crença de que ter um governador alinhado com o projeto presidencial da legenda facilitaria a montagem e sustentação das chapas."
A aposta em Guilherme Derrite
Uma peça central nesse xadrez é o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. Ele deixou o cargo em novembro para retornar à Câmara dos Deputados, onde relata a PEC da Segurança Pública.
Derrite conta com o aval da família Bolsonaro e migrou do PL de volta para o PP justamente para fortalecer sua construção política rumo ao Senado. Essa articulação coloca ainda mais pressão sobre a atual gestão, uma vez que o Progressistas busca protagonismo.
A estratégia visa garantir relevância no maior colégio eleitoral do país. Resta saber se as negociações de bastidor serão suficientes para manter a aliança ou se Tarcísio de Freitas [2] terá que enfrentar um ex-aliado nas urnas em 2026.
[1] https://abcdoabc.com.br/flavio-bolsonaro-alianca-mercado-marcal/
[2] https://www.sp.gov.br/sp