
A política do Grande ABC vive um momento de forte tensão após a confirmação da expulsão do prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella [1], do Partido Liberal [2] (PL).
A crise interna na sigla foi deflagrada após o senador Marcos Pontes (conhecido como “Astronauta”) manifestar descontentamento com elogios feitos por Tite ao deputado federal Guilherme Derrite. O partido entendeu que as declarações do prefeito ultrapassaram os limites internos, resultando no pedido de desfiliação compulsória.
O contexto da expulsão de Tite Campanella
Prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella (foto: Celso Rodrigues)
A cena política de São Caetano do Sul sofreu uma reviravolta após o diretório nacional do PL confirmar a desfiliação compulsória de Tite Campanella. O estopim da crise teria sido o descontentamento do senador Marcos Pontes com elogios públicos feitos por Tite ao deputado federal Guilherme Derrite. A cúpula do partido entendeu que as declarações do prefeito feriram a hierarquia e os limites internos da sigla.
Em resposta, Tite Campanella convocou uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira e emitiu uma nota oficial contundente. Ele afirmou que “opiniões divergentes são a base da democracia” e lamentou que a decisão partidária entregue o PL de São Caetano a “lideranças aliadas a Lula e Alckmin”. Tite manteve sua postura crítica em relação à representatividade de São Paulo no Senado, afirmando que não retira uma palavra do que disse.
Solidariedade e críticas de Orlando Morando
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O ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando Júnior, utilizou suas redes sociais nesta quarta-feira (8), para prestar solidariedade a Tite Campanella e fazer duras críticas à atuação parlamentar de Marcos Pontes. Morando ressaltou que aguardou a confirmação dos fatos para evitar um pronunciamento precipitado, mas decidiu endossar as críticas de Tite sobre a representatividade do estado no Senado.
“O Astronauta é aquele senador eleito em 2022, legitimamente, mas que anda fantasiado de astronauta. Fui prefeito até 2024 e esse senador nunca esteve presente para discutir o futuro de São Bernardo, a quarta maior cidade do estado. É, literalmente, um senador que nada ou muito pouco faz pelo nosso estado”, declarou Morando.
Tite Campanella contesta decisão
Em nota oficial, o prefeito Tite Campanella lamentou a condução do processo, defendendo que a divergência de opiniões é a base da democracia e da formação partidária. Ele manteve suas críticas à qualidade da representação paulista no Senado e alertou para as consequências políticas da decisão.
Impacto no partido: segundo Tite, com sua saída, o PL de São Caetano ficará “entregue a lideranças aliadas a Lula e Alckmin”.
Liberdade de expressão: o prefeito reafirmou que não retira suas falas anteriores e criticou o uso da estrutura partidária para suprimir o debate.
Debandada em São Caetano
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A decisão do PL não afetou apenas o chefe do Executivo. A expulsão gerou um efeito dominó na política local, com importantes lideranças anunciando a saída da sigla em protesto:
Vereadores: Cicinho, Dr. Seraphim e Caio Salgado formalizaram sua desfiliação da legenda.
Gestão local: Luis Galarraga, figura central na organização do partido na cidade, deixou a direção municipal do PL.
Impactos no cenário político
Embora a expulsão não interfira no mandato eletivo de Tite Campanella, que segue à frente da Prefeitura de São Caetano como independente, a medida redesenha o tabuleiro de alianças para os próximos ciclos eleitorais. A aproximação entre Morando e Tite, duas das figuras mais influentes do ABC, indica um possível isolamento da ala do PL ligada ao senador Marcos Pontes na região.
[1] https://www.abcdoabc.com.br/tite-campanela-sao-caetano-expulso-pl
[2] https://partidoliberal.org.br/