
Os efeitos físicos e psicológicos gerados por alterações nas temperaturas [1] são fenômenos que vão além de meras queixas; eles possuem fundamentação científica. O desconforto resultante de condições climáticas adversas, como o calor intenso ou o frio extremo, funciona como um mecanismo de defesa do corpo humano, que se manifesta através de respostas como a transpiração excessiva ou o ranger de dentes, sinalizando a perda do equilíbrio interno.
O corpo humano opera eficientemente em uma temperatura média de 36,5 °C. Quando os extremos são alcançados — acima de 42°C ou abaixo de 30°C —, os órgãos vitais começam a apresentar falhas funcionais, colocando a vida em risco.
A percepção de frio e calor é mediada por sensores térmicos localizados em diversas partes do corpo. A distribuição e a quantidade desses sensores variam entre os indivíduos, o que ajuda a explicar porque algumas pessoas sentem mais frio em regiões específicas, como o pescoço ou as orelhas, mesmo sob as mesmas condições ambientais.
Segundo Joachim Latsch, especialista em medicina do esporte da Universidade de Colônia, a experiência do calor e do frio é altamente subjetiva. "Assim como os tamanhos dos pés variam entre as pessoas, a quantidade de sensores térmicos também é diferente entre indivíduos", afirma Latsch.
Consequências do Frio Intenso
À medida que as temperaturas diminuem, o organismo humano começa a apresentar sinais como cansaço extremo, lentidão nas reações a estímulos, desaceleração da frequência cardíaca e dificuldades respiratórias. Observa-se que, em geral, mulheres costumam sentir mais frio em comparação aos homens devido à menor massa muscular; enquanto a composição muscular feminina é cerca de 25%, a masculina atinge aproximadamente 40%.
O frio também contribui para o aumento da suscetibilidade a doenças. Isso ocorre porque o corpo precisa dispor de mais energia para manter-se aquecido, o que resulta na diminuição das defesas imunológicas. Ambientes fechados e superlotados facilitam ainda mais a propagação de vírus e bactérias.
Em situações extremas de frio, temperaturas excessivamente baixas podem induzir sensações análogas a queimaduras ao invés do congelamento real. Além disso, podem ocorrer episódios de amnésia e até perda de consciência. Pesquisas indicam que quando a temperatura interna do corpo atinge 23°C, os órgãos começam a falhar.
Mudanças Psicológicas
Em regiões onde os invernos são rigorosos e os dias são curtos durante outono e inverno, os indivíduos podem desenvolver uma forma específica de depressão conhecida como transtorno afetivo sazonal (TAS). A redução da luz solar e do calor afeta substâncias químicas responsáveis pela regulação do humor e do sono, além de desestabilizar o ciclo biológico natural.
Os sintomas do TAS incluem hipersensibilidade à luz, aumento da fome (particularmente por carboidratos), alterações nos níveis de neurotransmissores como serotonina, sonolência excessiva e diminuição da libido. A população do Hemisfério Norte está particularmente suscetível a essa condição, com indivíduos enfrentando sintomas depressivos por quase metade do ano.
Estudos mostram que o transtorno afeta desproporcionalmente as mulheres; para cada quatro pessoas diagnosticadas com TAS, apenas uma é homem. Para um diagnóstico formal é necessário que os sintomas se manifestem durante pelo menos dois anos consecutivos nas estações frias.
Diante da gravidade desse transtorno em algumas nações do Hemisfério Norte, não é incomum buscar terapias baseadas em luz artificial para compensar a falta de exposição solar. Essas terapias visam estimular o hipotálamo — área crucial para a regulação do relógio biológico humano.
Pessoas que residem em locais com invernos severos podem adotar medidas preventivas como aumentar a prática esportiva, meditar ou utilizar lâmpadas adicionais em casa. Fugir para climas mais quentes durante fins de semana pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os efeitos do TAS.
Embora raro, alguns indivíduos experimentam depressão quando as temperaturas sobem durante o verão. De acordo com artigos revisados sobre o tema, apenas cerca de 10% dos casos relacionados ao transtorno sazonal estão associados ao clima quente. Os sintomas são distintos; no calor excessivo, as manifestações incluem insônia, ansiedade, irritabilidade e comportamentos agressivos.
Efeitos do Calor Extremo
A exposição intensa ao calor pode causar uma série de problemas físicos, desde dores de cabeça até tonturas e sensação de exaustão severa. Independentemente do ambiente — seja numa praia ensolarada ou dentro de um escritório — é essencial procurar áreas frescas e manter-se hidratado para repor eletrólitos perdidos através da transpiração.
A recomendação geral é beber água em quantidades superiores ao normal; em condições normais perdemos cerca de 2,5 litros diários por meio da transpiração e outras funções corporais. Contudo, em climas quentes esse volume tende a aumentar significativamente.
Ainda que algumas orientações possam parecer intuitivas, nem todas são eficazes; em situações de calor extremo, ventiladores podem piorar a sensação térmica. Estudos publicados pela revista Scientific American indicam que essas ferramentas podem intensificar o desconforto ao direcionar ar quente sobre as pessoas.
[1] https://abcdoabc.com.br/previsao-do-tempo-sao-paulo-9/