
Contando com uma equipe de engenharia onde mais da metade dos especialistas tem histórico na Fórmula 1 [1], a Ford [2]busca revolucionar o desenvolvimento de sua futura picape elétrica ao adotar uma filosofia vinda diretamente das pistas: o conceito de “falhar rápido, aprender mais rápido”. Este modelo será o pioneiro na utilização da Plataforma Universal de Veículos Elétricos da marca.
A influência das corridas de Fórmula 1 é nítida na obsessão pelos detalhes. Segundo Saleem Merkt, gerente sênior de Aerodinâmica Avançada da Ford, a busca por milissegundos nos tempos de volta foi transposta para a busca por eficiência energética.
"Essa mesma obsessão nos ajudou a melhorar em mais de 15% a eficiência aerodinâmica da nova picape média elétrica comparado a qualquer outra no mercado, com maior autonomia e menor custo para os clientes", afirma Merkt.
O túnel de vento como estratégia de desenvolvimento
Diferente do processo tradicional, onde o túnel de vento valida o design ao final do projeto, a Ford inverteu a lógica inspirada na Fórmula 1. O equipamento é utilizado desde o primeiro dia, permitindo ajustes em tempo real com a agilidade de um pit stop.
A construção do veículo de teste utiliza um sistema modular, similar a blocos de montar, com peças produzidas em impressoras 3D. Isso permite que a equipe troque componentes da suspensão ou da grade frontal em poucos minutos para testar sua eficiência no fluxo de ar.
Inovação digital e análise de dados
Para gerenciar o volume massivo de informações, a Ford reconstruiu seu kit de ferramentas digitais. Sem as restrições de processamento de dados impostas pelos regulamentos da Fórmula 1, a montadora utiliza supercomputadores para simulações ilimitadas.
IA no Design: As ferramentas estabelecem a base para o futuro design impulsionado por Inteligência Artificial.
Tempo Real: Toda a equipe monitora os dados do túnel de vento e os compara instantaneamente com simulações digitais.
Soluções aerodinâmicas que ampliam a autonomia
A aplicação prática dos conceitos da Fórmula 1 resultou em ganhos que seriam invisíveis em um projeto convencional. A aerodinâmica da picape foi tratada como a de um carro de corrida, focando na redução do arrasto e na gestão da turbulência.
Três pilares da eficiência invisível
Superfície Virtual: O teto esculpido em perfil de gota faz com que o ar passe por cima da caçamba sem gerar resistência, como se o veículo fosse uma silhueta contínua.
Retrovisores Otimizados: A fusão de atuadores permitiu reduzir a peça em 20%. Essa mudança, isoladamente, adiciona cerca de 2,4 km de autonomia.
Assoalho de Corrida: O chassi possui parafusos embutidos e guias de ar que direcionam o fluxo dos pneus dianteiros para os traseiros, garantindo um ganho adicional de 7,2 km.
Desempenho superior no mundo real
A nova picape não é apenas uma adaptação de modelos a combustão. Caso o modelo a gasolina mais eficiente do mercado americano fosse equipado com a mesma bateria, a nova picape da Ford ainda teria 80 km a mais de alcance devido à sua engenharia inspirada na Fórmula 1.
Atualmente, o veículo passa por testes rigorosos em pistas e ruas para validar as simulações. O objetivo final é entregar um produto onde o fluxo de ar — embora invisível — se traduza em economia real e maior tempo de estrada para o consumidor.
[1] https://www.formula1.com/
[2] https://abcdoabc.com.br/ford-bronco-sport-desempenho-off-road/