Feminicídio crescem 100% e expõem crise na proteção do ABC

25/02/2026 - 12:40  
Feminicídio crescem 100% e expõem crise na proteção do ABC
Feminicídio crescem 100% e expõem crise na proteção do ABC A escalada dos feminicídios [1] no Grande ABC escancara uma crise urgente na segurança pública paulista. O assassinato de Mariane Lima Alves, de 27 anos, morta pelo ex-companheiro em Diadema, reacende o alerta sobre o risco extremo que as mulheres enfrentam. Os indicadores oficiais apontam para o pior cenário desde o início da série histórica em 2015. Em 2025, os números de violência de gênero dobraram na região e exigem ações estruturais imediatas das autoridades competentes. Escalada letal exige nova postura do Estado Elza Fiúza/Agência Brasil Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo [2] detalham o avanço da criminalidade. A região registrou 16 feminicídios nas sete cidades, o que representa um aumento de 100% em relação ao ano anterior. O levantamento estadual distribui as ocorrências de forma preocupante: Santo André: 7 mortes registradas. Diadema: 4 vítimas fatais. Mauá: 3 casos notificados. São Bernardo do Campo: 2 assassinatos. Nesse mesmo período, as delegacias contabilizaram 36 tentativas de homicídio contra mulheres. A tendência local acompanha a tragédia estadual, já que São Paulo fechou 2025 com o assustador marco de 266 mortes qualificadas por gênero. Violência sexual acompanha crescimento do perigo O crime de estupro também avançou e desenha um quadro de insegurança contínua que frequentemente antecede os feminicídios na região paulista. Foram 150 ocorrências em 2025, indicando uma alta de 5,6% em comparação aos 142 casos do ano passado. Santo André apresentou o maior salto absoluto, passando de 28 para 41 agressões sexuais denunciadas oficialmente. Na análise mensal regional, o fim de ano marcou uma piora expressiva, subindo de 12 para 13 denúncias apenas entre novembro e dezembro. Rede de apoio combate os feminicídios no Grande ABC Divulgação Especialistas alertam que o momento de rompimento do relacionamento lidera o risco para a vítima. Para frear essa realidade brutal, o Centro de Referência e Apoio à Mulher II (CRAM II) de São Bernardo atua de forma ininterrupta. Executado pelo Instituto Ficar de Bem, o serviço oferece amparo psicológico, social e jurídico sem necessidade de agendamento. Casos confirmados de ameaça à vida contam com encaminhamento imediato para as Casas Abrigo protegidas. "Quando a mulher procura o CRAM, ela encontra uma rede preparada para acolher sem julgamento e orientar cada passo. O atendimento humanizado faz diferença na decisão de romper o ciclo de violência", pontua Sara Maria de Souza, Gerente de Projetos da instituição. Medidas urgentes para reverter o cenário atual O fortalecimento da estrutura de atendimento exige responsabilidade compartilhada entre o poder público e as forças de segurança. A implantação de Delegacias da Mulher 24 horas e o aumento de patrulhas especializadas formam a base fundamental dessa rede preventiva. "A região precisa integrar informações entre prefeituras, Ministério Público e segurança. Cada morte expõe fragilidades na rede de proteção e impõe uma resposta articulada", reforça a especialista sobre as demandas locais. Casos de ameaça podem e devem ser denunciados gratuitamente pelos canais 180, 100 ou 190, garantindo acesso direto a medidas protetivas e cuidados médicos. Sem essas ferramentas de intervenção rápida, o crescimento desenfreado dos feminicídios continuará transformando vidas perdidas em estatísticas de impunidade. [1] https://abcdoabc.com.br/feminicidio-recorde-brasil-2025-4-mortes-por-dia/ [2] https://www.ssp.sp.gov.br