
O varejo da capital paulista encerra o primeiro trimestre de 2026 em tom de prudência. Segundo dados da FecomercioSP [1], o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) recuou 0,4% em março, atingindo 102,9 pontos.
Apesar do indicador ainda se manter acima da marca dos 100 pontos (que separa o pessimismo do otimismo), de acordo com dados da FecomercioSP [2], esta é a segunda queda mensal consecutiva. O movimento reflete um cenário de juros ainda elevados, inadimplência e uma desaceleração nas vendas que pressiona as margens de lucro, levando os comerciantes a frearem investimentos e a formação de estoques.
Análise dos Subíndices: Realidade vs. Expectativa
Fernando Frazão - Agência Brasil
O ICEC é composto por três variáveis principais que revelam percepções distintas sobre o momento econômico:
Condições Atuais (ICAEC): Sofreu a maior queda (-3,1%), caindo para 75,6 pontos. É o 37º mês seguido abaixo dos 100 pontos, evidenciando que a operação diária continua desafiadora devido aos custos operacionais.
Investimentos (IIEC): Recuou 0,4%, fechando em 105 pontos. Os empresários demonstram maior cautela em expandir fisicamente os negócios ou reformar unidades.
Expectativas (IEEC): Foi o único ponto positivo, com alta de 1,2% (128,3 pontos). O otimismo futuro é alimentado pelo início da queda da Selic e pela proximidade de datas como o Dia das Mães.
Expansão e Contratações
Além disso, a FecomercioSP também detectou que Índice de Expansão do Comércio (IEC) acompanhou a tendência de queda, recuando 0,5% para 107 pontos. O principal detrator foi o Nível de Investimento das Empresas (NIE), que caiu 1,3%. Por outro lado, a intenção de contratar novos funcionários (ECF) permanece estável e elevada (120,1 pontos), indicando que, apesar do freio em máquinas e reformas, a manutenção da força de trabalho é prioridade para o setor.
Riscos no Horizonte
A FecomercioSP alerta que o otimismo sazonal pode ser ofuscado por fatores externos e internos:
Cenário Internacional: Conflitos no Oriente Médio e a volatilidade do preço do petróleo.
Política Interna: Incertezas quanto à política econômica do governo e o impacto das eleições no humor dos negócios.
Endividamento: Margens de lucro apertadas continuam afetando o fluxo de caixa das empresas já endividadas.
"A realidade das empresas ainda é desafiadora. A Justiça precisa enxergar o território de frente para garantir direitos", ressalta a Federação, reforçando que a prudência deve ditar o ritmo do comércio nos próximos meses.
[1] https://abcdoabc.com.br/fecomerciosp-projeta-nova-alta-inflacao/
[2] https://www.fecomercio.com.br/