
Segundo levantamento da FecomercioSP, [1] em meio ao Dia Internacional da Mulher [2], que será celebrado no próximo dia 08 de março, uma transformação estrutural da economia pode ser observada. Com maior escolaridade e presença crescente no mercado laboral, as mulheres tornaram-se protagonistas nas decisões financeiras e deixaram de serem apenas coadjuvantes.
O levantamento da FecomercioSP aponta que essa evolução abrange desde a qualificação profissional até o comando de negócios próprios, influenciando diretamente os indicadores de confiança do país.
Confiança e cautela no cenário econômico atual
Em fevereiro de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da capital paulista, apurado pela FecomercioSP, atingiu 127,4 pontos, uma alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Embora o patamar acima de 100 pontos indique otimismo, o recorte de gênero revela uma postura mais ponderada por parte das mulheres.
O ICC feminino fixou-se em 123,9 pontos. Segundo a entidade, essa diferença reflete desafios estruturais:
"As mulheres ainda apresentam rendimento médio inferior ao dos homens e maior exposição a despesas essenciais, o que as torna mais sensíveis à inflação e ao custo do crédito", analisa a FecomercioSP.
Enquanto as expectativas para o futuro (IEC) cresceram 6,6% entre o público feminino, a percepção sobre as condições econômicas atuais (ICEA) recuou 4,2%, evidenciando que a gestão do orçamento doméstico exige vigilância constante frente ao custo de vida.
O avanço do empreendedorismo e do emprego formal
A força feminina também é medida pela capacidade de gerar novos negócios. Dados do Sebrae (2025) apontam que mais de 10 milhões de brasileiras são empreendedoras. No mercado formal, o avanço é nítido, especialmente nos setores de Comércio e Serviços, conforme demonstram os registros do Caged processados pela FecomercioSP.
ste movimento é sustentado por um diferencial competitivo: a educação. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, 20,7% das mulheres com mais de 25 anos possuem ensino superior completo, superando significativamente os 15,8% registrados entre os homens.
Liderança nos lares e desafios estruturais
O protagonismo feminino estende-se para dentro de casa. Atualmente, 49,1% dos domicílios brasileiros têm mulheres como principais responsáveis. Essa liderança garante a elas o poder de decisão sobre consumo, crédito e planejamento financeiro familiar.
Entretanto, a FecomercioSP ressalta que a jornada para a equidade ainda enfrenta obstáculos. Mesmo mais escolarizadas, as mulheres acumulam uma carga superior de trabalho doméstico não remunerado e ainda enfrentam disparidades salariais em diversas ocupações.
O impacto do humor econômico feminino
Compreender a percepção feminina tornou-se vital para empresas e analistas. Como as mulheres gerem a maior parte do consumo das famílias, o seu nível de confiança serve como um termômetro para a dinâmica do mercado.
A FecomercioSP reitera seu compromisso com a construção de um ambiente de negócios mais inclusivo. Para a federação, valorizar o empreendedorismo feminino não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia essencial para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.
[1] https://abcdoabc.com.br/fecomerciosp-aprovacao-pec-da-seguranca-publica/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_das_Mulheres