
A combinação de temperaturas recordes e a interrupção no fornecimento hídrico tem gerado uma crise de bem-estar na Região Metropolitana de São Paulo [1]. Residentes das zonas Sul, Norte, Oeste, Leste e do Centro da capital relatam uma grave falta de água [2] que já perdura por dias. Na Chácara Santana, a situação atingiu um nível crítico: são sete dias consecutivos com as torneiras secas, obrigando famílias a recorrerem à compra de galões para necessidades básicas.
A crise não se restringe à capital. Em Quintaúna, no município de Osasco, a rotina foi severamente impactada pela falta de água. Pequenos comerciantes, como Jaird de Nardi, dono de uma pizzaria, relatam prejuízos financeiros diretos. "Estou há quatro dias sem trabalhar. Como vamos ganhar o pão sem água?", desabafa o empresário, evidenciando o impacto econômico da escassez em meio à onda de calor que atingiu 35,9ºC na última quinta-feira (25).
Consumo sobe 60% e pressiona sistema da Sabesp
De acordo com a Sabesp, a forte elevação das temperaturas provocou um aumento repentino e massivo na demanda. O consumo de água na região metropolitana subiu cerca de 60% nos últimos dias. Para se ter uma dimensão do volume, a produção média, que era de 66 mil litros por segundo em meados do mês, saltou para 72 mil litros por segundo durante o Natal.
Mesmo com o aumento da produção, a pressão do sistema não tem sido suficiente para abastecer áreas periféricas ou regiões de topografia elevada. A companhia solicitou que a população adote o uso consciente e evite desperdícios, mas ainda não detalhou prazos específicos para a normalização do serviço nos bairros que sofrem com a falta de água prolongada.
Qual plano para mitigar a falta de água?
A atual instabilidade ocorre em um cenário onde o governo estadual já havia previsto riscos. Desde agosto, um plano de contingência está em vigor para gerenciar o sistema hídrico da Grande São Paulo. Entre as medidas adotadas para evitar um colapso total, está a redução da pressão nas tubulações por até 16 horas diárias, prática que visa diminuir o volume de vazamentos, mas que acaba resultando em torneiras vazias em horários de pico.
Em situações de agravamento extremo de falta de água, o governo não descarta a implementação de um rodízio oficial no fornecimento. Por enquanto, a exploração do volume morto das represas e a otimização da rede são as principais frentes para mitigar a falta de água.
Investimentos pós-desestatização e metas para 2029
Desde que foi desestatizada em 2024, a Sabesp iniciou um ciclo de investimentos que soma R$ 1 bilhão em infraestrutura, com foco na troca de tubulações antigas e tecnologia de detecção de vazamentos. O plano plurianual prevê um aporte total de R$ 9,7 bilhões até 2029, um salto significativo para tentar solucionar problemas estruturais.
Atualmente, a empresa lida com um índice de perdas totais de 29,40%. Embora o número seja menor que a média brasileira (40,31%), ele revela que quase um terço da água tratada não chega ao destino final devido a:
Vazamentos físicos: 19% das perdas;
Fraudes e irregularidades: 10% das perdas.
A modernização da rede é vista como a única solução definitiva para que o sistema suporte picos de demanda como o atual, garantindo que o direito básico ao recurso não seja interrompido mesmo diante de eventos climáticos extremos.
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo
[2] https://abcdoabc.com.br/atualizacao-areas-falta-de-agua/