
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, aprovou uma nova taxa que será cobrada de estrangeiros que solicitarem vistos para entrar no país [1], incluindo brasileiros. A cobrança extra de US$ 250 — equivalente a cerca de R$ 1.390 — será aplicada à emissão de vistos de turismo, estudo e trabalho, somando-se aos atuais US$ 185 (R$ 1.080). A medida deve entrar em vigor em 2026 e faz parte do pacote fiscal batizado de “big, beautiful bill”, aprovado pelo Congresso americano no último dia 3 de julho.
Denominada “visa integrity fee” (taxa de integridade de visto), a nova tarifa foi incluída como uma das ações do plano orçamentário defendido por Trump e já foi sancionada no dia 4 de julho. No entanto, detalhes sobre como será aplicada ainda não foram completamente esclarecidos pelo governo dos EUA.
Além da nova cobrança, haverá ainda o custo adicional de US$ 24 (cerca de R$ 133) para o preenchimento do formulário I-95, exigido para o registro da entrada no país. Com isso, o valor total para obtenção do visto poderá chegar a US$ 459, ou R$ 2.552 no câmbio atual.
Cobrança só vale para vistos aprovados e pode sofrer ajustes
De acordo com o texto aprovado, a taxa adicional só será exigida se o visto for aprovado — candidatos que tiverem o pedido negado não precisarão pagar o valor extra. Também está previsto que o valor poderá ser ajustado conforme a inflação ou por decisão da secretária de Segurança Nacional, atualmente Kristi Noem. No entanto, o texto legal não especifica quais mudanças poderão ser aplicadas nem com que frequência esses ajustes podem ocorrer.
Embora a taxa esteja prevista para entrar em vigor somente em 2026, o site oficial do governo americano ainda não exibe informações claras sobre a nova cobrança. A falta de detalhes tem gerado dúvidas entre especialistas e profissionais do setor de turismo, que criticam a medida por aumentar os obstáculos para a entrada de estrangeiros, especialmente em um momento estratégico para os EUA, que será um dos países-sede da Copa do Mundo.
Reembolsos serão possíveis, mas com regras e prazos vagos
A legislação prevê a possibilidade de reembolso da taxa de US$ 250, mas impõe condições específicas e um longo tempo de espera. O valor só poderá ser devolvido após o vencimento do visto — o que, no caso dos vistos de turismo com validade de 10 anos, pode significar uma espera de até uma década.
O reembolso será possível apenas em três situações: se o portador do visto não tentar retornar aos EUA com a permissão vencida; se tiver cumprido rigorosamente todas as regras e deixado o país dentro do prazo autorizado; e se tiver solicitado prorrogação ou mudança de categoria do visto durante o período de validade.
Mesmo com essas possibilidades, a lei não detalha o procedimento para solicitação da devolução nem os prazos de análise. A indefinição aumenta a incerteza para viajantes e gera críticas quanto à efetividade da política.
Impacto direto sobre o turismo internacional
A implementação da nova taxa tem sido alvo de críticas por parte de representantes do setor de turismo, que alertam para o impacto negativo da medida sobre o fluxo de visitantes internacionais. A exigência de um pagamento adicional pode desestimular turistas e estudantes estrangeiros a escolherem os Estados Unidos como destino.
Em 2026, ano em que a nova tarifa deve entrar em vigor, os EUA estarão no centro das atenções globais como sede de jogos da Copa do Mundo de Futebol, o que poderia impulsionar o turismo. No entanto, especialistas apontam que a elevação dos custos para emissão de visto pode prejudicar o potencial de atrair visitantes e movimentar a economia do país durante o evento.
A expectativa agora é que o Departamento de Segurança Interna esclareça os pontos vagos da medida e publique regulamentações mais detalhadas antes do início da cobrança. Até lá, viajantes e agências de intercâmbio devem manter atenção às possíveis atualizações nos canais oficiais.
[1] https://abcdoabc.com.br/visto-americano-o-que-voce-precisa-saber-para-nao-errar-na-entrevista/