
Em um movimento diplomático significativo, representantes dos Estados Unidos [1] e Irã dividiram a mesma sala de negociações nesta sexta-feira, no Hotel Serena, em Islamabade. O encontro, mediado pelo Paquistão [2], marca uma mudança de tom nos esforços de paz, uma vez que as discussões anteriores ocorriam em salas separadas. A reunião teve início às 9h40 (horário de Brasília) e foi interrompida para o jantar no horário local após quase duas horas de conversas diretas.
Embora um acordo definitivo sobre o fim do conflito ainda não tenha sido assinado, houve um consenso preliminar sobre a necessidade urgente de frear a escalada de violência no Líbano. Fontes diplomáticas indicam que Estados Unidos e Irã concordaram com uma limitação de bombardeios na região sul libanesa, sinalizando um respiro em meio às hostilidades que marcaram a última semana.
Mediação paquistanesa e o papel de JD Vance
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, emergiu como o principal articulador da trégua. Antes da reunião trilateral, Sharif conversou individualmente com as comitivas. Pelo lado persa, participaram o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e Mohammad Bagher Ghalibaf. Na sequência, o premiê recebeu a delegação norte-americana, composta pelo vice-presidente JD Vance, além de Jared Kushner e Steve Witkoff.
A Casa Branca confirmou oficialmente apenas o encontro entre JD Vance e as autoridades paquistanesas. No entanto, ao embarcar para a missão, o vice-presidente enviou um recado direto aos interlocutores:
"O Irã não deveria brincar. Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva", afirmou JD Vance.
Exigências de Teerã e o Estreito de Hormuz
A delegação iraniana condicionou o avanço da paz a termos específicos, incluindo a indenização por ataques sofridos em fevereiro, realizados conjuntamente por Washington e Israel. Além disso, há uma forte expectativa de progresso no desbloqueio de ativos iranianos no exterior.
A desconfiança, porém, permanece elevada entre as partes. O ministro Abbas Araghchi declarou que o Irã atuará com "completa desconfiança" para garantir os direitos de seu povo. Um dos pontos mais sensíveis da pauta entre Estados Unidos e Irã é o controle do Estreito de Hormuz. O Irã propõe uma passagem regulamentada sob coordenação de suas Forças Armadas e a inédita cobrança de taxas de embarcações, o que pode gerar novos atritos comerciais e militares.
Panorama das Negociações em Islamabade
Status atual: Reunião em sala conjunta (inédito neste ciclo).
Consenso: Limitação de ataques no sul do Líbano.
Ponto crítico: Indenizações por ataques de fevereiro e taxas em Hormuz.
Duração da trégua: Cessar-fogo de duas semanas anunciado anteriormente por Donald Trump.
O impasse de Israel e o cenário no Líbano
A situação do Líbano continua sendo o maior percalço para a estabilidade entre Estados Unidos e Irã. Enquanto as potências negociam no Paquistão, o território libanês sofreu novos bombardeios de Israel, que alega que o país não está incluído na trégua atual devido às atividades do Hezbollah. Em resposta, o grupo extremista lançou foguetes contra Israel, mantendo o ciclo de retaliação ativo.
O gabinete de Benjamin Netanyahu sinalizou que pretende negociar a paz com o Líbano separadamente, em um encontro agendado para a próxima semana em Washington. Até que isso ocorra, o entendimento informal alcançado hoje entre Estados Unidos e Irã em Islamabade serve como o único freio momentâneo para a crise regional.
[1] https://abcdoabc.com.br/ira-confirma-com-eua-estreito-de-ormuz/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Paquist%C3%A3o