
O combate à dengue [1] no Grande ABC apresenta resultados estatísticos expressivos, mas o cenário epidemiológico ainda exige cautela extrema das autoridades e da população. Entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025, as sete cidades da região contabilizaram 14.359 diagnósticos positivos. Embora o número represente uma retração de 76% na comparação com o mesmo período do ano anterior — quando houve 60.472 registros —, a média mensal permanece em um patamar preocupante de aproximadamente 1.250 contaminações.
Dados extraídos do Painel Epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado [2] revelam que a circulação viral continua ativa. A queda abrupta nos números absolutos não deve ser interpretada como fim da transmissão da dengue, especialmente com a aproximação do pico do verão.
Ranking de infecções e letalidade na região
A distribuição geográfica da doença mostra que Mauá lidera o ranking regional de infecções neste ciclo. A análise detalhada dos números confirma que a dengue atinge os municípios de forma heterogênea, exigindo estratégias localizadas.
Confira o cenário de casos confirmados por cidade em 2025:
Mauá: 5.717
Santo André: 3.405
São Bernardo: 2.297
Diadema: 1.687
São Caetano: 973
Ribeirão Pires: 262
Rio Grande da Serra: 18
No quesito letalidade, o recuo foi ainda mais significativo. O Grande ABC viu o número de mortes causadas pela dengue cair 85%, saindo de 67 óbitos em 2024 para dez confirmações neste ano. As perdas fatais foram registradas em Mauá (5), São Bernardo (3), Santo André (1) e Ribeirão Pires (1).
Combate à dengue e estratégias tecnológicas
Para sustentar a redução dos indicadores, as administrações municipais apostam na tecnologia. O enfrentamento ao vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, ganhou reforço com o uso de equipamentos modernos. Em São Bernardo, veículos equipados com nebulizadores aplicam inseticida para eliminar espécimes adultos, enquanto drones monitoram áreas de difícil acesso e aplicam larvicidas.
A Prefeitura de Diadema também planeja utilizar aeronaves não tripuladas para mapear terrenos baldios. A gestão municipal reforça que a ação governamental precisa de contrapartida social.
“É fundamental reforçar que a redução do número de casos da doença depende também do cuidado e da colaboração de cada cidadão. O enfrentamento à dengue deve ser contínuo, com atenção diária à eliminação de possíveis focos do mosquito.”
Riscos climáticos exigem prevenção contínua
Especialistas alertam que o mês de janeiro cria a "tempestade perfeita" para a proliferação do vetor. A combinação de altas temperaturas com chuvas frequentes gera o ambiente quente e úmido ideal para a reprodução do mosquito da dengue.
As visitas domiciliares de agentes de endemias continuam sendo a principal linha de defesa. Equipes percorrem diariamente escolas, hospitais, borracharias e imóveis residenciais para eliminar criadouros mecânicos. Contudo, a eliminação de pratos de plantas, pneus e a vedação correta de caixas d'água permanecem como medidas indispensáveis para evitar um novo surto de dengue.
[1] https://abcdoabc.com.br/vacina-contra-a-dengue-butatan-estreia-sus-2026/
[2] https://saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/coronavirus-covid-19/situacao-epidemiologica