
A dificuldade de leitura [1]entre estudantes brasileiros tem se consolidado como um dos principais entraves da educação básica. Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), cerca de 50% dos alunos no país não atingem o nível básico de proficiência em leitura.
Baixo engajamento agrava cenário educacional
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O cenário se agrava quando se observa a relação dos estudantes com o próprio ato de ler. Levantamentos recentes indicam que 66% dos alunos não se dedicam a textos com mais de 10 páginas, o que evidencia não apenas dificuldades de compreensão, mas também de permanência e aprofundamento na leitura.
Para o escritor e mediador Eduardo Kaz [2]e, o problema vai além do acesso ao conteúdo escrito. “A leitura muitas vezes acontece como tarefa, mas não como experiência. O aluno lê, mas não permanece, não elabora, não constrói sentido de forma mais profunda”, afirma.
Projeto propõe nova abordagem em sala de aula
A partir dessa percepção, Kaze desenvolveu o projeto Leituras Vividas, uma proposta literário-pedagógica voltada à aplicação prática em escolas. O projeto se organiza a partir do conto de sua autoria, A Árvore de Abel, e oferece um material completo, incluindo guia pedagógico, roteiro de atividades e orientações de mediação.
A proposta busca estruturar a leitura como um processo, contemplando momentos antes, durante e após o contato com o texto, com foco na construção de sentido e na participação ativa dos alunos. “A ideia não é substituir o trabalho do professor, mas oferecer uma estrutura que amplie a experiência dentro da rotina já existente da escola”, explica o autor.
Material gratuito busca ampliar acesso nas escolas
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O material foi pensado para ser aplicado diretamente em sala de aula, sem necessidade de reformulação do planejamento pedagógico, podendo ser utilizado em poucos encontros. Segundo o idealizador, essa organização responde a um dos principais entraves apontados pelas instituições: a dificuldade de implementar novos projetos sem sobrecarregar os docentes.
Além disso, o projeto é disponibilizado gratuitamente para escolas, permitindo que conheçam a proposta antes de decidir por sua ampliação. “Existe hoje uma necessidade clara de fortalecer a leitura na escola, mas isso precisa acontecer de forma viável. Por isso optamos por disponibilizar o material”, afirma.
A iniciativa dialoga com um dado recente que aponta que apenas 19% das pessoas associam a escola ao hábito de ler, indicando perda de protagonismo do ambiente escolar nesse processo.
Para Kaze, iniciativas estruturadas podem ajudar a reverter esse quadro. “A escola ainda é o principal espaço de formação do leitor. Quando esse processo ganha intencionalidade pedagógica, deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser formação.”
O material completo do projeto está disponível no site [3]. Para acessar, é necessário preencher um formulário, e o conteúdo é enviado por e-mail em formato PDF, incluindo o conto completo, guias pedagógicos e atividades.
[1] https://abcdoabc.com.br/sao-paulo-criancas-alfabetizadas/
[2] https://www.instagram.com/eduardokaze/
[3] https://www.eduardokaze.com.br/