
Na última semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro [1]foi submetido a um bloqueio do nervo frênico como parte do tratamento para uma crise severa e prolongada de soluços. O procedimento, realizado inicialmente no lado direito no dia 27, terá sua segunda etapa — no lado esquerdo — nesta segunda-feira, 29, conforme informou o hospital DF Star [2], em Brasília.
Bolsonaro está internado desde a semana passada, quando deu entrada na unidade hospitalar para tratar uma hérnia. Segundo a equipe médica, o bloqueio do nervo frênico foi indicado após o insucesso de terapias medicamentosas em doses elevadas, já que os soluços persistiam de forma diária há meses.
O que é o bloqueio do nervo frênico
O corpo humano possui dois nervos frênicos, um de cada lado, ambos com origem na região cervical e responsáveis por comandar o diafragma — músculo essencial para o processo respiratório. Alterações na atividade desse nervo podem provocar contrações involuntárias do diafragma, mecanismo que explica o surgimento dos soluços.
O bloqueio do nervo frênico consiste na aplicação local de anestésico, associada ou não a outros medicamentos, com o objetivo de interromper temporariamente os impulsos nervosos que desencadeiam os espasmos diafragmáticos. No caso de Bolsonaro, também foi utilizado um corticoide para prolongar o efeito terapêutico.
Como o procedimento é realizado
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Trata-se de um procedimento não cirúrgico, realizado com o paciente sedado. A equipe médica utiliza ultrassom para localizar com precisão o nervo frênico antes da punção e da aplicação do anestésico. Por envolver diretamente o controle da respiração, o bloqueio do nervo frênico exige monitoramento rigoroso da frequência cardíaca e dos níveis de oxigenação no sangue durante e após a intervenção.
A divisão do tratamento em duas etapas — primeiro no lado direito e, posteriormente, no esquerdo — é uma estratégia adotada para reduzir riscos e possíveis complicações respiratórias.
Riscos e possíveis efeitos colaterais
(Reprodução/Instagram)
De acordo com o radiologista intervencionista Mateus Saldanha, responsável pelo procedimento, um dos principais efeitos colaterais associados ao bloqueio do nervo frênico é a sensação de falta de ar. “Ao bloquear o diafragma, pode haver aumento da pressão abdominal, comprimindo a cavidade torácica”, explicou o médico durante entrevista coletiva no sábado.
Outro risco, embora menos frequente, é a possibilidade de a medicação atingir o plexo braquial — conjunto de nervos que controla os movimentos dos membros superiores — o que pode provocar alterações temporárias na mobilidade dos braços e das mãos.
Expectativa de alta médica
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ainda não há confirmação oficial sobre a data de alta antes da conclusão do tratamento. Segundo o cirurgião Claudio Birolini, integrante da equipe médica, a previsão é que Bolsonaro permaneça em observação por pelo menos 48 horas após a segunda etapa do bloqueio do nervo frênico. Caso a recuperação evolua de forma favorável, a alta poderá ocorrer na quarta-feira, 31 de agosto.
Após deixar o hospital, o ex-presidente deverá retornar à carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro passou por diversos procedimentos médicos. Em abril deste ano, ele foi submetido a uma cirurgia de aproximadamente 12 horas para desobstrução intestinal, uma das mais complexas desde o episódio.
[1] https://abcdoabc.com.br/
[2] https://www.rededorsaoluiz.com.br/star/dfstar