
O cenário da energia elétrica no Brasil para 2026 [1] traz um alerta importante ao consumidor. Apesar da expectativa de boas chuvas nos primeiros meses do ano, a conta de luz deve seguir em trajetória de alta. O motivo não está apenas no clima, mas em alterações técnicas no modelo de precificação do setor elétrico, que tornaram o sistema mais sensível a qualquer risco de escassez hídrica.
A principal mudança está na atualização dos critérios de aversão ao risco usados no cálculo do PLD, o Preço de Liquidação das Diferenças, referência para a formação dos custos da energia no país. Na prática, o modelo passou a penalizar mais rapidamente qualquer cenário que indique possibilidade de seca, o que se reflete diretamente nas bandeiras tarifárias da conta de luz.
Segundo Matheus Machado, especialista do Grupo Bolt, [2] o setor passou a operar com uma lógica mais conservadora. Mesmo sem uma crise hídrica instalada, o sistema antecipa riscos. Isso faz com que bandeiras mais caras permaneçam acionadas por períodos maiores, impactando o consumidor final.
Por que a conta de luz pode subir mesmo com chuvas
Divulgação/MME
Historicamente, anos com boas chuvas traziam alívio temporário ao bolso do consumidor. Em 2026, esse efeito tende a ser mais curto. A expectativa do setor é de bandeira verde concentrada entre janeiro e abril, período de maior geração hidrelétrica. A partir de maio, com a chegada do período seco, cresce a dependência de fontes mais caras, como as térmicas.
Além disso, o sistema elétrico brasileiro deve operar com menor sobra estrutural de energia ao longo do ano. Isso reduz a margem de segurança e aumenta a probabilidade de acionamento de bandeiras amarela e vermelha, mesmo sem eventos extremos.
Especialistas avaliam que 2026 pode registrar uma incidência de bandeiras vermelhas superior à observada em 2025, ampliando o peso da energia no orçamento das famílias.
Quanto a tarifa pode subir em cada região
Um estudo da TR Soluções estima que os reajustes médios devem variar conforme a região do país, refletindo diferenças na estrutura de geração e distribuição.
No Sul e no Sudeste, a projeção é de alta média de 9,5%. No Norte, o reajuste estimado é de 7,6%. O Centro-Oeste deve registrar aumento em torno de 6,7%, enquanto o Nordeste aparece com a menor previsão, de 4,4%.
Esses percentuais se somam à pressão já acumulada. Nos últimos 14 anos, o mercado regulado de energia subiu cerca de 45% acima da inflação, o que explica a crescente busca dos consumidores por alternativas.
Alternativas para reduzir o impacto da conta de luz
(Divulgação)
Diante desse cenário, novas modalidades de consumo ganham espaço como ferramentas de proteção contra a volatilidade tarifária.
Uma delas é o Mercado Livre de Energia, que já está aberto para consumidores de média tensão. Nesse modelo, o consumidor pode negociar contratos diretamente com geradores e comercializadoras, garantindo previsibilidade de preços e descontos que podem chegar a 30% em relação ao mercado regulado.
Outra opção em expansão é a energia solar por assinatura. Nesse formato, o consumidor passa a receber créditos de energia gerados por usinas solares remotas, sem necessidade de instalar painéis no imóvel. Empresas do setor estimam economia média de até 20% na conta mensal, com adesão simples e sem investimento inicial.
O que muda para o consumidor nos próximos anos
Com a abertura gradual do mercado de energia e discussões sobre a inclusão de consumidores residenciais a partir de 2026, o Brasil caminha para um modelo em que a liberdade de escolha será central. Nesse novo contexto, informação e planejamento passam a ser as principais ferramentas do consumidor para reduzir custos.
Entender como funciona a formação da tarifa, acompanhar o ciclo das bandeiras e avaliar alternativas disponíveis será cada vez mais decisivo para atravessar um período de maior pressão no setor elétrico sem comprometer o orçamento doméstico.
[1] https://abcdoabc.com.br/conta-de-luz-deve-subir-2026-apos-alta-2025/
[2] https://www.grupobolt.com.br/?utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGndJ3yap5xlJg07gI-94mCEbU5Qjp9qM0oiwzF6D89vNx9rqxGB2YgUsgv8KA_aem_4vbWTQutj3k3eGtb3XEDBg