
A cada quatro anos, a Copa do Mundo [1]transforma o planeta em uma grande arena de atenção, audiência e consumo. Bilhões de pessoas acompanham os jogos, comentam nas redes sociais, compram produtos temáticos e interagem com campanhas publicitárias criadas especialmente para esse momento. Para as empresas, porém, a Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo. Ela é uma vitrine global de altíssimo valor comercial, cercada por regras rigorosas de proteção de marca.
Quando a visibilidade exige responsabilidade jurídica
(Imagem/Freepik)
Os organizadores da Copa do Mundo controlam de forma estratégica nomes oficiais, logotipos, mascotes, slogans, troféus, identidades visuais e expressões associadas ao campeonato. Esses sinais são protegidos juridicamente em diversos países e não podem ser usados livremente por terceiros. Isso significa que uma empresa não pode simplesmente criar uma campanha mencionando o evento de maneira comercial sem avaliar os riscos legais envolvidos.
É justamente nesse contexto que surge o chamado marketing de emboscada. Muitas empresas tentam criar associação com a Copa por meio de cores, frases, referências visuais ou ações promocionais indiretas, sem pagar pelo patrocínio oficial. Embora essa estratégia pareça criativa, ela pode gerar notificações, remoção de campanhas, prejuízos reputacionais e disputas judiciais.
A disputa comercial da Copa do Mundo também acontece fora do estádio
(Imagem/Freepik)
Por outro lado, as marcas patrocinadoras investem valores milionários porque sabem que a associação legítima a um evento dessa dimensão gera reconhecimento, conexão emocional e fortalecimento de posicionamento. A exclusividade vale tanto quanto a exposição.
A Copa do Mundo [2] ensina uma lição importante para qualquer empresário: em momentos de grande visibilidade, a marca precisa ser tratada como ativo estratégico. Não basta aparecer. É preciso proteger, usar corretamente e respeitar os limites jurídicos de associação. No fim, a competição também acontece fora do campo, e nela vence quem entende o valor da propriedade intelectual. [3]
Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)
Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC [4]. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes [5] e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.
[1] https://www.abcdoabc.com.br/copa-do-mundo-2026-veja-como
[2] https://www.fifa.com/
[3] https://abcdoabc.com.br/propriedade-intelectual-ativo-economia-digital/
[4] https://abcdoabc.com.br/
[5] https://www.uniellas.com.br/