
China [1] deu mais um passo decisivo em sua estratégia de soberania digital ao instruir empresas e órgãos reguladores a interromperem o uso de tecnologias de cibersegurança vindas dos Estados Unidos [2] e de Israel. De acordo com uma diretriz governamental datada de dezembro de 2025 e revelada nesta quarta-feira (14), o governo de Pequim exige que as organizações identifiquem e removam produtos de marcas como Palo Alto Networks, Fortinet e Check Point Software Technologies de suas infraestruturas até o primeiro semestre de 2026.
A justificativa oficial da China para a medida é a proteção de dados sensíveis. O comunicado emitido pelo órgão regulador do mercado de valores mobiliários afirma que o uso dessas ferramentas estrangeiras poderia facilitar o envio de informações estratégicas para o exterior ou criar vulnerabilidades críticas. O documento acusa formalmente as empresas de tecnologia ocidentais de possuírem vínculos com agências de inteligência, embora não tenha apresentado evidências concretas que sustentem tais alegações.
Impacto nas gigantes de tecnologia e cibersegurança
A decisão da China afeta diretamente o faturamento de líderes globais do setor. Além da Palo Alto Networks — que o regulador chinês citou nominalmente como tendo "histórico de ligação com serviços de inteligência do Ocidente" —, a lista de proibição inclui nomes como CrowdStrike, Mandiant (Alphabet), McAfee e VMWare (Broadcom).
Representantes de empresas como a Orca Security e a McAfee manifestaram surpresa e preocupação. Gil Geron, CEO da Orca Security, declarou que negar acesso a ferramentas defensivas eficazes é um "passo na direção errada" para a segurança empresarial global. Já a McAfee ressaltou que seus produtos são voltados ao uso doméstico e não governamental, mas que segue monitorando as conformidades regulatórias na região.
2 Razões para a escalada da Guerra Fria Tecnológica
A movimentação da China não ocorre no vácuo e reflete dois pontos centrais da atual geopolítica:
Reciprocidade de Restrições: Os Estados Unidos já adotam medidas severas para restringir o uso de tecnologias chinesas em órgãos federais, citando riscos à segurança nacional. Pequim agora aplica a mesma lógica para blindar seu mercado interno.
Fortalecimento da Indústria Local: Ao banir competidores externos, a China força a aceleração do desenvolvimento de seus próprios fornecedores de cibersegurança, visando total independência tecnológica do Vale do Silício e de polos de inovação israelenses.
Prazo de transição e conformidade até 2026
O cronograma imposto pela China é considerado agressivo por especialistas do setor. Substituir sistemas de firewall, detecção de ameaças e proteção de nuvem em grandes corporações exige um planejamento complexo para evitar interrupções de serviço. No entanto, a ordem é clara: até junho de 2026, as tecnologias nacionais devem ser a única linha de defesa das empresas chinesas.
Empresas como Recorded Future e SentinelOne afirmaram que já não vendem produtos no território chinês, o que minimiza o impacto direto em suas operações, mas reforça o isolamento tecnológico entre as duas maiores economias do mundo. O mercado aguarda agora a reação oficial do Departamento de Comércio dos EUA diante desta nova barreira comercial imposta pela China.
[1] https://abcdoabc.com.br/a-ascensao-da-china-corrida-global-dominio-ia/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos