
O Brasil registrou em 2025 um avanço significativo no controlo de preços, encerrando o ano com a inflação [1] oficial em 4,26%. O dado, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo IBGE, revela que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA [2]) não só ficou abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, como também atingiu o seu patamar mais baixo desde 2018.
Este resultado consolida uma trajectória de queda, situando-se 0,57 pontos percentuais abaixo do índice registado em 2024 (4,83%). No panorama histórico das últimas três décadas, este é o quinto menor índice desde a implementação do Plano Real, perdendo apenas para os anos de 1998, 2017, 2006 e 2018. O desempenho surpreendeu positivamente as projecções do mercado financeiro, que no início do ano passado estimavam uma inflação próxima dos 5%.
Alimentação dá trégua, mas energia pressiona a inflação
Um dos principais factores que contribuíram para conter a inflação em 2025 foi o grupo de Alimentação e Bebidas. O sector, que possui o maior peso no orçamento das famílias, apresentou uma desaceleração drástica: passou de uma alta de 7,69% em 2024 para apenas 2,95% no ano passado. A queda foi impulsionada pela alimentação no domicílio, que registou variações negativas durante seis meses consecutivos.
Por outro lado, o custo de vida não caiu mais devido à pressão da energia elétrica residencial. O item acumulou uma alta de 12,31% em 12 meses, exercendo o maior impacto individual sobre o índice total. Outros sectores que pressionaram a inflação para cima foram:
Habitação: Acelerou de 3,06% para 6,79%;
Educação: Alta de 6,22%;
Saúde e cuidados pessoais: Variação de 5,59%.
Impacto económico e o cumprimento da meta
O cumprimento da meta de inflação pelo governo federal reforça a percepção de estabilidade económica. Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou os números, destacando que a política económica actual foca na distribuição de renda e no bem-estar social. “O dado confirma: teremos em quatro anos a menor inflação acumulada da história”, afirmou o mandatário.
Para o cálculo do IPCA, o IBGE monitoriza o custo de vida de famílias que ganham entre um e 40 salários mínimos em diversas regiões metropolitanas do país. O encerramento de dezembro com uma taxa de 0,33% — abaixo dos 0,52% de dezembro de 2024 — sinalizou um fechamento de ano mais suave do que o previsto, consolidando a inflação dentro dos limites institucionais e preservando o poder de compra da população.
Perspectivas para o consumo em 2026
Com a inflação sob controlo e abaixo do teto da meta, especialistas acreditam que o cenário para o consumo interno em 2026 torna-se mais favorável. A redução no ritmo de subida dos preços dos alimentos é fundamental para as classes de rendimento mais baixo, embora o custo da habitação e dos serviços básicos ainda exija atenção das autoridades monetárias.
A manutenção da inflação em níveis baixos é vista como um pilar essencial para a continuidade do crescimento do PIB e para a possível manutenção ou redução das taxas de juro ao longo do próximo ano, factores que dinamizam o crédito e o investimento produtivo no Brasil.
[1] https://abcdoabc.com.br/ipca-menor-nivel-novembro-7-anos-0-18/
[2] https://www.ibge.gov.br/explica/inflacao.php