Ansiedade infantil dispara e pressiona o SUS no Brasil

17/04/2026 - 14:30  
Ansiedade infantil dispara e pressiona o SUS no Brasil
Ansiedade infantil dispara e pressiona o SUS no Brasil A ansiedade infantil [1] deixou de ser um sinal isolado e passou a ocupar o centro das discussões sobre saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos de crianças entre 10 e 14 anos no SUS saltaram de 1.850 para 24.367 casos entre 2014 e 2024. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, o avanço é ainda mais intenso. O número de atendimentos passou de 1.534 para 53.514 no mesmo período, um crescimento superior a 3.300%. Ansiedade infantil cresce e pressiona sistema de saúde (Imagem/Freepik) O aumento da ansiedade infantil também se reflete em dados regionais. No estado de São Paulo, informações da Secretaria da Saúde apontam crescimento de 465,6% nos atendimentos e internações por ansiedade em menores de 17 anos entre 2015 e 2023. A expansão dos casos ocorre em ritmo mais acelerado do que a capacidade de resposta da rede pública. A Fundação Abrinq indica que a procura por atendimento em saúde mental infantil cresce ao mesmo tempo em que a oferta permanece limitada. O psicólogo Davi Tomasi, diretor do Hospital Saúde Premium, [2] resume o impacto desse cenário ao afirmar que “esse crescimento expressivo reforça a pressão sobre o sistema público de saúde e evidencia a dificuldade de acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente entre famílias em situação de vulnerabilidade”, afirmou. Sinais da ansiedade infantil aparecem no comportamento A ansiedade infantil se manifesta de diferentes formas e nem sempre é identificada com facilidade. Em muitos casos, os sinais aparecem no comportamento e não em relatos diretos da criança. Entre os principais sintomas estão: Medos persistentes e desproporcionais Preocupações constantes Irritabilidade e choro frequente Alterações no sono e pesadelos Dores físicas sem causa clínica aparente Dificuldade de concentração Davi Tomasi destaca que o reconhecimento desses sinais depende da atenção dos adultos ao afirmar que “muitas vezes, a criança não consegue traduzir em palavras o que sente, e as emoções acabam aparecendo em comportamentos ou mudanças de humor. Por isso, o olhar atento dos adultos é fundamental para identificar sinais e oferecer apoio no momento certo”, afirmou. Projetos locais ampliam acesso ao cuidado (Imagem/Freepik) Diante da dificuldade de acesso ao atendimento especializado, iniciativas locais têm buscado reduzir o impacto da ansiedade infantil em comunidades mais vulneráveis. Em Capela do Alto, o Hospital Saúde Premium mantém o programa Pequenos Gigantes, desenvolvido em parceria com o município. O projeto oferece acompanhamento psicológico gratuito e realiza cerca de 40 atendimentos mensais voltados ao público infantil. A diretora administrativa da instituição, Arine Tomasi, explica o alcance da iniciativa ao afirmar que “além do atendimento clínico, o projeto atua de forma preventiva, promovendo acolhimento e acompanhamento contínuo em uma fase decisiva do desenvolvimento”, afirmou. Outras ações também integram essa estratégia. O projeto Vidas que Inspiram 60+ promove atividades voltadas ao envelhecimento ativo, enquanto o Aurora realiza encontros com mulheres atendidas pela rede pública, com foco em autoestima e qualidade de vida. Estrutura especializada tenta responder à demanda crescente O avanço da ansiedade infantil e de outros transtornos mentais exige estrutura mais robusta de atendimento. O Hospital Saúde Premium atua com equipe multidisciplinar e oferece serviços em psicologia, psiquiatria e neuropsicologia, além de terapias complementares. A unidade também dispõe de leitos de internação e suporte clínico integral, incluindo UTI, com abordagem centrada na recuperação e na autonomia dos pacientes. O cenário indica que o desafio não está apenas no aumento dos casos. Está na capacidade de resposta do sistema, que precisa acompanhar uma demanda crescente por cuidado em saúde mental desde as fases iniciais da vida. [1] https://abcdoabc.com.br/transtorno-de-ansiedade-na-infancia-mais-comum-do-que-voce-imagina/ [2] https://hospitalsaudepremium.com.br