Acordo Mercosul–UE avança e cria maior zona de livre comércio do mundo

Acordo Mercosul–UE avança e cria maior zona de livre comércio do mundo
Acordo Mercosul–UE avança e cria maior zona de livre comércio do mundo Após mais de 25 anos de negociações, os países da União Europeia (UE) aprovaram o acordo comercial com o Mercosul, [1] abrindo caminho para a criação da maior área de livre comércio do planeta. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (9) pela presidência rotativa do bloco europeu e representa um marco estratégico para o comércio global. A aprovação do acordo Mercosul-UE contou com o apoio da maioria qualificada dos Estados-membros e permite que o tratado seja formalmente assinado no próximo dia 17 de janeiro. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, etapa considerada provável apesar da resistência pontual de alguns países. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, além da harmonização de regras envolvendo bens industriais, produtos agrícolas, investimentos, compras governamentais e compromissos ambientais. Segundo a Comissão Europeia, trata-se do maior acordo já firmado pelo bloco em termos de redução tarifária, com potencial de eliminar mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações. Impacto direto para o Brasil (José Cruz/Agência Brasil) Para o Brasil, maior economia do Mercosul [2], o acordo abre acesso preferencial a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores. Atualmente, cerca de 9 mil empresas brasileiras exportam para a União Europeia, número que tende a crescer com a entrada em vigor do tratado. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, destacou que o acordo fortalece o multilateralismo, amplia investimentos e reforça o compromisso ambiental do país. Segundo ele, a integração comercial deve gerar ganhos mútuos, com produtos mais acessíveis e competitivos para ambos os lados. Preços mais baixos e mais produtos no mercado Do ponto de vista do consumidor brasileiro, os efeitos mais visíveis do acordo entre Mercosul e União Europeia devem surgir no médio e longo prazo. O acordo estabelece a redução gradual de tarifas sobre produtos europeus hoje fortemente taxados no Brasil, como vinhos, azeite de oliva, queijos, chocolates e itens industrializados. A liberalização seguirá cronogramas distintos, que variam entre 8 e 15 anos, a depender da sensibilidade do produto. No caso dos queijos, por exemplo, a abertura ocorrerá por meio de cotas tarifárias, que crescerão progressivamente até atingir cerca de 30 mil toneladas anuais, com tarifa zerada dentro desse limite. Volumes acima da cota continuarão pagando imposto. Especialistas apontam que esse modelo evita uma abertura abrupta do mercado, permitindo que produtores nacionais se adaptem à concorrência externa, ao mesmo tempo em que amplia a oferta e tende a pressionar os preços para baixo no varejo. Resistências e cenário político Apesar do apoio majoritário, o acordo com o Mercosul enfrenta oposição de setores agrícolas europeus, principalmente em países como França, Irlanda, Polônia e Hungria, que temem concorrência de produtos sul-americanos com custos mais baixos. O presidente francês Emmanuel Macron reiterou críticas ao tratado, alegando riscos ao setor agrícola europeu. Presidente Lula e presidente da França, Emmanuel Macron (Ricardo Stuckert/PR) Ainda assim, diplomatas europeus avaliam que o acordo atende aos critérios exigidos para aprovação e que eventuais compensações financeiras e salvaguardas agrícolas devem mitigar resistências internas. Um movimento estratégico global (Divulgação) Além dos ganhos comerciais, o acordo Mercosul–UE é visto como uma resposta estratégica à crescente dependência da Europa em relação à China e às políticas protecionistas adotadas por outros atores globais. O tratado também amplia o acesso europeu a minerais críticos da América do Sul, como o lítio, essencial para a transição energética. Com a aprovação política consolidada, o acordo entra agora em sua fase decisiva. Caso seja ratificado, marcará um novo capítulo nas relações entre América do Sul e Europa, com impactos econômicos, industriais e sociais que devem se estender por décadas. [1] https://abcdoabc.com.br/lula-cobra-politica-acordo-mercosul-ue/ [2] https://www.mercosur.int/pt-br/